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Internacional

Nicolás Maduro quer retomar conversações com a oposição

FEDERICO PARRA/GETTY

Na televisão, o Presidente venezuelano disse estar disposto a convocar eleições locais mas não presidenciais, na sequência de três semanas de protestos em que cerca de 20 manifestantes morreram e centenas foram detidos

O Presidente da Venezuela diz que quer retomar as conversações com a oposição e convocar eleições locais, depois de três semanas de protestos contra o seu governo em várias cidades do país em que cerca de 20 manifestantes perderam a vida em confrontos com as forças de segurança.

Ontem, em declarações no seu programa de televisão semanal, depois de a oposição ter convocado mais um protesto em massa para esta segunda-feira, Nicolás Maduro apoiou a ideia de uma ida às urnas para se elegerem autarcas e governadores mas sem mencionar eleições presidenciais, como os manifestantes têm exigido.

"Eleições sim, quero eleições agora. É isso que tenho a dizer enquanto chefe de Estado e chefe de governo", declarou Maduro. As eleições de governadores estatais estavam inicialmente marcadas para dezembro do ano passado mas nunca chegaram a concretizar-se; as autárquicas estavam previstas para este ano.

As declarações foram proferidas um dia depois de a Venezuela ter assistido a inúmeras marchas silenciosas em que os manifestantes se vestiram de branco para homenagear os que perderam a vida nos protestos recentes, em que é exigido ao líder venezuelano que abdique do poder e que convoque eleições presidenciais. Ativistas de Direitos Humanos dizem que mais de mil pessoas foram detidas nas últimas três semanas e que mais de 700 continuam detidas.

No ano passado, as conversações entre o governo e a oposição foram suspensas após os principais movimentos políticos da barricada da oposição terem acusado Maduro de quebrar acordos em vigor e de estar a aproveitar-se das negociações para comprar tempo. A oposição culpa o governo pela grave crise económica causada pela queda dos preços do petróleo que tem conduzido à escassez de bens essenciais, como comida e medicamentos.

Os protestos em massa contra Maduro e o seu Partido Socialista Unido da Venezuela estalaram há quase um mês, depois de os juízes do Supremo Tribunal terem chamado a si alguns dos poderes até então exclusivos da Assembleia Nacional (parlamento), atualmente contolada pela oposição. Essa decisão acabaria por ser revertida sob pressão popular e após o Presidente ter pedido ao painel de juízes que revisse a decisão.