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Americano detido na Coreia do Norte perante adensar de tensões

Marinha dos EUA

Pyongyang promete afundar porta-aviões dos EUA depois de o Japão ter enviado dois navios de guerra para participarem nas manobras navais com a frota norte-americana e sul-coreana naquela zona do Pacífico

Perante a escalada de tensões com os Estados Unidos, foi ontem confirmado que um cidadão do país foi detido pelas autoridades norte-coreanas em Pyongyang, fazendo subir para três o número de norte-americanos atualmente detidos no país.

Num comunicado enviado à BBC, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (PUST) disse que a detenção de Kim Sang-duk, também conhecido como Tony Kim, "não está de forma alguma" relacionada com as suas atividades na instituição, onde o professor na casa dos 50 anos terá estado a dar aulas durante várias semanas antes de ter sido levado pelas autoridades este fim-de-semana, aponta o "The Guardian".

A BBC está a noticiar esta segunda-feira que o americano foi detido quando se preparava para abandonar o país. A embaixada da Suécia em Pyongyang — responsável por supervisionar os assuntos consulares dos EUA na Coreia do Norte, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas — já confirmou a "detenção recente de um cidadão americano", sem avançar mais informações. Até ontem à noite, nenhuma fonte oficial norte-coreana tinha confirmado a detenção de Tony Kim.

A notícia surgiu depois de o Japão ter destacado dois navios de guerra para o oeste do oceano Pacífico, onde estão a decorrer exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul.

Reagindo ao destacamento, um jornal do regime norte-coreano disse que as forças de Kim Jong-un estão preparadas para atacar os navios da frota de ataque Carl Vinson. "As nossas forças revolucionárias estão prontas para afundar o porta-aviões dos EUA com um único ataque", escreveu o "Rodong Sinmun" no domingo.

No artigo, o jornal do partido único da Coreia do Norte compara a frota dos EUA a um "animal grosseiro" e refere que atacá-la vai servir de "exemplo para demonstrar a força do nosso Exército". A peça foi publicada na terceira página da edição de domingo, seguindo-se a uma reportagem de duas páginas sobre a visita de Kim Jong-un a uma quinta de porcos.

Foi há duas semanas que Donald Trump alegadamente destacou a frota Carl Vinson para a costa da península coreana, em resposta às crescentes tensões com a Coreia do Norte por causa do programa nuclear e de mísseis do regime de Kim — que, por sua vez, tem repetido ameaças aos EUA e aos seus aliados na região perante o que diz serem "preparações para uma invasão".

Na semana seguinte, foi noticiado que, apesar do anúncio de Trump, a frota de ataque ainda não estava na península coreana, não se sabendo até agora se já chegou ao destino. No sábado, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence — que visitou a península coreana há uma semana — disse aos jornalistas que os navios e respetivos aviões de guerra vão chegar "dentro de dias" à região, sem avançar mais pormenores.

Na Austrália, Mike Pence (dta) disse apenas que a frota de ataque Carl Vinson vai chegar à península coreana "dentro de dias"

Na Austrália, Mike Pence (dta) disse apenas que a frota de ataque Carl Vinson vai chegar à península coreana "dentro de dias"

RICK RYCROFT

Com o adensar das tensões, a Coreia do Norte alargou entretanto as ameaças aos vizinhos, prometendo lançar um ataque nuclear contra a Austrália, onde Pence esteve este fim-de-semana em visita oficial, se o país continuar a "pisar a [mesma] linha [que] os EUA de forma cega e zelosa".

Em visita oficial à Grécia, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, voltou a apelar à calma. "Precisamos de declarações pacíficas e racionais", declarou num comunicado emitido pelo Ministério que dirige.

De acordo com uma fonte da Casa Branca à Reuters, membros da administração Trump vão reunir-se com senadores na próxima quarta-feira para discutir o que fazer a seguir, isto depois de o Presidente ter discutido a situação com o homólogo chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, ao telefone no domingo.

A fonte diz que a reunião marcada para depois de manhã vai contar com a presença do secretário de Estado, Rex Tillerson, do secretário da Defesa, Jim Mattis, do diretor dos serviços de informação, Dan Coats, e de Joseph Dunford, general da Marinha e atual chefe do Estado-maior das Forças Armadas norte-americanas.