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Venezuela: Oposição diz que vai continuar com protestos até “reverter o golpe”

FEDERICO PARRA/getty

Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se em Caracas em homenagem às pessoas que perderam a vida nos protestos das últimas semanas. A Mesa de Unidade Democrática vai manter a contestação nas ruas até ser revertido o "golpe" do Supremo Tribunal.

Vestidas de branco, milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em memória dos 20 venezuelanos que perderam a vida nas últimas semanas. Apesar de a marcha até à sede do Episcopado de Caracas ter decorrido de forma pacífica aliança opositora venezuelana argumenta que os protestos vão continuar.

"É importante que se entenda que apesar de ter sido uma conquista chegar ao município Libertador a tarefa não foi concluída a 100%", disse o autarca da oposição do município de El Hatillo, David Smolansky, numa conferência de imprensa. O dirigente recordou que "continuam a haver pessoas detidas, suspensão de eleições e uma crise humanitária, e continua a desconhecer-se a Assembleia Nacional com este golpe de Estado". Por isso, assegurou: "Esta luta continua, esta luta é firme, com coragem e resistência."

Segundo Smolansky, ao domingo de pausa nos protestos, seguir-se-á a manifestação apelidada de "plantão nacional", na segunda-feira. A marcha de sábado, em que participaram milhares de pessoas, aconteceu sem incidentes, confirmou o autarca, argumentando que as manifestações convocadas pela oposição são pacíficas. "Fica demonstrado mais uma vez que a violência veio da parte de Nicolás Maduro (Presidente de Venezuela), que a violência vem destes grupos paramilitares, que conhecemos como coletivos armados, que a violência surgiu quando se deu ordem para chegar", acrescentou.

O protesto foi apelidado de "marcha silenciosa" em honra das pessoas que morreram nas manifestações antigovernamentais ao longo das últimas três semanas. Apenas um grupo de venezuelanos que tentou caminhar na autoestrada Francisco Fajardo — a principal via rápida de Caracas — foi repelido com gás lacrimogéneo, sem se registarem feridos. No entanto, no final da marcha, grupos encapuzados fecharam uma rua no leste da cidade, com barricadas de lixo e chamas e, ao serem repelidos com gás lacrimogéneo, responderam com pedras.

Quase todos os protestos das últimas semanas foram reprimidos pelas forças de segurança, que lançaram gás lacrimogéneo e tiros. E em muitos casos terminaram com confrontos entre manifestantes e polícia.

Nos protestos morreram 22 pessoas, além de centenas de feridos e mais de 500 detidos, segundo a organização não-governamental Foro Penal Venezuelano.