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Quem é Emmanuel Macron

IAN LANGSDON/EPA

Com 39 anos, Macron pode tornar-se no mais jovem Presidente da V República e promete a modernização do país

Com 23,7% de votos nas primeiras projecções eleitorais, o candidato centrista Emmanuel Macron está muito bem colocado para bater à segunda volta a candidata ultra-nacionalista Marine Le Pen (21,9%), até porque todas as sondagens o davam como vencedor nesse potencial duelo, antes mesmo da votação da primeira volta.

Macron, caso ganhe a segunda volta a 7 de Maio, será o mais jovem Presidente da V República, com 39 anos. A sua pré-campanha começou a 6 de Abril do ano passado quando ainda era ministro da Economia de Hollande e começou a demarcar-se deste e a lançar as bases de um movimento a que chamou “Em Marcha”.

Afirmou-se então como “nem de esquerda, nem de direita” mas querendo “trazer a França para o século XXI”. Já na recta final desta campanha expôs esta ideia doutra forma, dizendo que, tal como o general De Gaulle, tinha escolhido “o melhor da esquerda, o melhor da direita e, porque não dizê-lo, do centro…”

Desde logo as sondagens deram sinais de que a sua mensagem estava a ser bem aceite pelos franceses. Aparentemente, retardou a saída do Governo devido ao atentado de Nice (14 de Julho de 2016) e só a formalizou a 30 de Agosto. A 16 de Novembro formalizou a candidatura ao Eliseu e a 10 de Dezembro já conseguia reunir dez mil pessoas em Paris para o seu primeiro comício.

O arranque da campanha não foi isento de problemas. À esquerda Mélenchon estigmatizava-o por ter sido banqueiro na Rothschild, colando-o ao capital financeiro e às crises bolsistas. À direita, as suas declarações designando a colonização da Argélia como crime contra a humanidade e defendendo o casamento gay, fizeram chover insultos.

Quando começou a ter um lugar de destaque nas sondagens surgiu uma ciber-campanha negra na internet e nas redes sociais, denegrindo o seu casamento com uma mulher 25 anos mais velha (sua antiga professora) e insinuando uma relação homossexual oculta. Em tudo isto alguns especialistas viram a marca de “hackers” russos como os que tentaram manipular a campanha presidencial norte-americana.

Em finais de Fevereiro deste ano Macron vencia a turbulência e os apoios políticos começavam a multiplicar-se: o centrista François Bayrou, o ministro da defesa Jean-Yves Le Drian e dois ex-primeiros ministros Manuel Valls e Dominique de Villepin. A 17 de Abril juntava 17 mil apoiantes no pavilhão de Bercy em Paris.

No que respeita às suas propostas, Macron é favorável a uma forte redução do défice francês (60 mil milhões de euros nos próximos cinco anos) através da redução de 120 mil funcionários e das transferências para os poderes regionais. Defende o não pagamento de subsídio de desemprego a quem recuse “mais de duas ofertas de emprego credíveis” mas em contrapartida quer reduzir a zero as taxas sobre a habitação para 80% das famílias.

Defende que o peso da energia nuclear na produção eléctrica francesa deve descer para metade até 2025 e preconiza medidas moralizadoras tais como a proibição do exercício de actividades de consultoria aos titulares de cargos públicos (como os deputados) e proibir que empreguem pessoas da família.