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Recrutas afegãos massacrados pelos talibãs

Soldado afegão vigia acesso à base atacada pelos talibãs a 21 de abril de 2017

GHULAM MUSTAFA/EPA

Centena e meia de mortos e dezenas de feridos é o balanço de um golpe de mão dos talibãs contra um quartel no norte do Afeganistão.

Um dia depois do ataque, a estimativa das baixas ainda não é definitiva mas hoje de manhã um oficial do 209º Corpo de Exército afegão falava em 150 mortos e dezenas de feridos na sequência da infiltração naquela base, em Mazar-è-Charif, no norte do país, de um comando de dez talibãs. Um responsável militar norte-americano que pediu o anonimato avaliou as baixas em 50 mortos. Os intrusos tomaram como alvo jovens recrutas acabados de chegar às instalações e que se encontravam a rezar ou a comer quando foram surpreendidos pelo ataque, sexta-feira por volta das 14 horas locais.

Desarmados e sem treino de combate os jovens foram massacrados por um grupo de comandos, pequeno mas coeso e bem armado, que ocupou posições-chave no interior do quartel, donde metralhou os soldados. A luta durou várias horas e só terminou após a intervenção de forças especiais formadas pela NATO que mataram sete atacantes e capturaram outro. Os restantes dois elementos fizeram-se explodir.

O comandante da missão da NATO no Afeganistão general John Nicholson confirmou que os ataques visaram soldados “que estavam a rezar na mesquita ou a comer no refeitório” e elogiou os comandantes da força de reacção rápida que pôs fim ao ataque.

A circunstância de elementos armados se conseguirem infiltrar numa base sem serem detetados levanta, segundo a Agência France-Presse, questões sobre o grau de segurança da mesma, bem como sobre eventuais cumplicidades no interior.

Trata-se do ataque mais mortífero desde que a 8 de Março um grupo de elementos dos simpatizantes afegãos do Daesh (conhecidos aqui como Daesh-K) atacara o hospital de Sardar Daud Khan em Cabul. A luta durou seis horas e fez 30 mortos. Desde então, e uma vez que Daesh-K e talibãs (de que são dissidentes) lutam pela hegemonia dos grupos que combatem o governo afegão e as forças da NATO, esperava-se uma acção simbólica de resposta que agora ocorreu.

O degelo e a melhoria das condições atmosféricas levam a esperar que, à semelhança dos anos anteriores, os talibãs afegãos façam a habitual Ofensiva da Primavera. Desde a retirada da maior parte das forças ocidentais em fins de 2014 os grupos armados têm multiplicado ataques e alguma conquista de território, não obstante a presença de uma força multinacional de 8400 soldados e importantes meios aéreos.

Sexta-feira da semana passada os EUA lançaram uma bomba termobárica de grande potência contra esconderijos do Daesh-K numa zona montanhosa da província de Nangarhar no sul do país. O Pentágono avançou com a estimativa de 96 inimigos mortos nesse ataque com uma bomba de dez toneladas que incinera a zona do alvo e cria uma onda choque comparável à de um engenho nuclear. Uma das leituras políticas desta operação da aviação dos EUA é que se tenha tratado de uma demonstração de força não tanto contra o inimigo local (as forças do Daesh-K estão estimadas entre 500 e 1000 homens) mas visando potências estrangeiras como a Rússia ou a China.