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Internacional

Quem são os candidatos da “segunda divisão” nas eleições francesas

Nathalie Arthaud, Jean Lassalle, François Asselineau, Jacques Cheminade, Philippe Poutou, Dupont-Aignan

À margem da grande 'guerra' que os quatro elegíveis alimentam para passar à segunda volta, há mais seis candidatos, que são pequenos mas irrequietos, aproveitando a campanha para gerar influências e divulgar ideais políticos

Com experiência política ou larga carreira em cargos públicos, sem poder sonhar com o destaque numas eleições tão disputadas pelos principais intervenientes, apresentam-se, todavia, à liça. São militantes "à antiga" e gente de carreira em gabinetes ministeriais, dissidentes de chefes com quem se zangaram, administradores de empresas, operários, professores. Este ano são seis os 'outsiders'.

Uns vivem calcorreando passadeiras vermelhas, mas a maioria cumpriu via-sacra em partidos de topo, correu as capelinhas até chegar a postos mais sou menos importantes. Agora fazem a ilusória corrida para o Eliseu, meta que, sabem, não poderão alcançar. É o caso de Jean Lassalle, veterano deputado atípico conhecido pelas intervenções cáusticas na Assembleia.

Foi o mais jovem presidente de Câmara, posto que guarda há 40 anos, acumulando com o de deputado e de membro da Assembleia da região. Empresário e dirigente de grémios, milita hoje no MoDem que ajudou a criar, quando se afastou do antigo UDF. Jura que vai "fazer reviver cada rincão do território nacional" e, a propósito de territórios ultramarinos, quase nos faz lembrar a sigla britânica de tempos vitorianos: "O nosso país é o único no mundo onde o sol nunca de deita"!

Já François Asselineau, inspetor geral de Finanças, talvez apoiado nessa experiência, defende prioritariamente a saída da União Europeia e do Euro, bem como da NATO. Seguidor fervoroso do gaullismo, promete que com ele a França tornar-se-á "porta-voz da liberdade dos povos e das nações". Se necessário, "curto-circuitará os partidos políticos tradicionais", quiçá apoiado no que ele próprio fundou, depois de desertar da União por um Movimento Popular, e de nome União Popular Republicana.

Gaulista de velho republicanismo, Dupont-Aignan é autor do livro "França, Levanta-te e Caminha"! No seio do UMP esteve contra Sarkozy. É deputado e tem carreira nos gabinetes ministeriais, defende a renegociação dos tratados europeus, a valorização da França rural, e "imporá a todo o estrangeiro 5 anos de trabalho e cotização antes de receber apoios sociais", e "expulsará sistematicamente os clandestinos e os delinquentes estrangeiros". Ao estilo trumpista, limpará do território os islamitas e os estrangeiros suspeitos.

Jacques Cheminade, administrador de empresas e diplomata nascido na Argentina, foi militante do Partido Operário Europeu e seu secretário-geral entre 1974 e 89, ano do ocaso da organização por falta de adesão. Próximo dos americanos do US Labor Party, veio a fundar o Solidarité et Progrès. Desenham-no como "um político difícil de classificar por causa das ideias um pouco ocultas", famoso pelos muitos casos polémicos e escusos, quer políticos quer financeiros. Garante "um plano de cinco anos para criar um milhão de empregos por ano, financiado por um banco nacional sob controlo do povo", e defende o "nuclear do futuro", o das centrais de quarta geração, e a pesquisa sobre a fusão nuclear controlada, para além da exploração consciente dos oceanos, e os grandes projetos para África, "integrando agricultores, pescadores, pastores e futuros industriais", embora seja contra o que chama "a lógica corruptora da Françáfrica". Promete estabelecer "um palácio do descobrimento em cada região, e museus do imaginário por toda a França."

Fieis às tradições de militância clássica, assumidamente trostskistas, irmãos desavindos, Nathalie Arthaud e Phillippe Poutu. Ele é dissidente do Lutte Ouvrière, um dos que dirigiu a cisão que originou a Liga Comunista Revolucionária e finalmente o Novo Partido Anticapitalista, que fundou. Esteve com Alain Krivine nos anos 70, ainda na LCR. É operário da indústria automóvel e sindicalista: "Sou um assalariado e vivo do meu trabalho". Vai acabar com o desemprego, para isso "é necessário proibir os despedimentos e partilhar o tempo de trabalho sem diminuição dos ordenados". Também defende a "requisição dos bancos, para controlá-los e impedir os capitalistas de especularem." Quer relançar os serviços públicos e cortar com a política do nuclear e energias fósseis. Finalmente, quer "a liberdade de circulação e instalação de todas e todos, e a regularização de todos os 'sem-papéis', a revogação de todas as leis racistas e islamofóbicas, bem como a igualdade completa de todos os LGBTI".

Cem anos depois da revolução dos sovietes, a única foice e martelo é brandida pela candidata de Lutte Ouvrière, Nathalie Arthaud, "herdeira" da respeitada Arlette Laguiller, envolvida em presidenciais anteriores. Afirma-se "a única candidata comunista" para "divulgar os seus ideais e em defesa dos trabalhadores". Professora de economia, é deputada municipal e pugna pelo fim do desemprego através do reforço do emprego proposto pelo Estado, uma existência digna através do aumento dos salários e pensões, denunciando o “dinheiro gasto no pacto de responsabilidade que pretendia que as empresas criassem um milhão de empregos, embora o desemprego tivesse aumentado”.

E todos velarão pelo bem estar e pela felicidade da França.

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