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Internacional

Pelo menos três mortos em novos protestos contra o Governo de Maduro

FEDERICO PARRA

Manifestações em curso na Venezuela há várias semanas deverão continuar esta quinta-feira, aumentando a pressão sobre o Presidente para que negoceie com a oposição e encontre soluções para a grave crise económica que o país atravessa

Pelo menos três pessoas morreram ontem durante novos protestos em várias cidades da Venezuela contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro, entre elas um adolescente em Caracas e uma mulher abatida a tiro em San Cristobal, perto da fronteira com a Colômbia.

Na quarta-feira, dezenas de milhares de pessoas voltaram a reunir-se nos centros de várias cidades para exigirem eleições presidenciais antecipadas e a libertação de opositores presos. Reagindo aos incidentes, Maduro acusou os que apoiam a oposição de atacarem a polícia. A terceira vítima era um membro da guarda nacional que foi morto a sul da capital.

No seu discurso público, o Presidente também acusou os manifestantes de pilharem lojas, anunciando que houve mais de 30 detenções durante os protestos renovados. À hora em que os apoiantes da oposição se manifestavam, um protesto rival esteve em curso na capital com milhares a manifestarem o seu apoio ao Governo do sucessor de Hugo Chávez.

O líder do principal partido da oposição, Henrique Capriles, já convocou novos protestos para esta quinta-feira, num momento de tensões crescentes na Venezuela. Apesar de ter uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, o país está há vários anos a sofrer com a elevada inflação, com o aumento da criminalidade e sobretudo com a escassez de bens básicos como comida e medicamentos.

Neste momento, o Presidente Maduro está sob enormes pressões para negociar com a oposição respostas e soluções para a crise económica, numa altura em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) antevê que a inflação vá ultrapassar os 700% do PIB até ao final deste ano.

Os manifestantes anti-Governo já descreveram o protesto em curso como “o segundo dia da independência” da Venezuela. Para já só estão previstas eleições para o final de 2018, mas a oposição diz que o país está à beira do colapso e exige que a ida às urnas seja antecipada.

A última crise política surgiu no mês passado, quando o Supremo Tribunal decidiu retirar poderes ao Parlamento, atualmente controlado pela oposição a Maduro, e assumir ele as funções de órgão legislativo. O Presidente ordenaria depois aos juízes que essa decisão fosse revista; o painel da alta instância acabou por revertê-la passados três dias, mas já foi “demasiado tarde para impedir uma nova onda de protestos”, aponta hoje a BBC.

Desde então, a Venezuela tem estado mergulhada em protestos em massa e confrontos entre os que condenam e os que apoiam o Governo socialista. Com os três mortos registados na quarta-feira, o balanço total de vítimas sobe para oito, a par de dezenas de feridos e detidos.