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Expresso

Internacional

ONU diz que foram descobertas mais 17 valas comuns na República Democrática do Congo

Caveiras de supostas vítimas dos confrontos entre os militares da RDC e da milícia local encontradas junto a uma estrada nas proximidades da capital Kasai Central

REUTERS

O alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos diz que há testemunhos de que os militares cavaram sepulturas após os confrontos com a milícia Kamuina Nsapu na região central de Kasai, em março

Investigadores das Nações Unidas descobriram 17 novas valas comuns (aumentando para 40 o número das encontradas até agora), numa área da República Democrática do Congo (RDC) onde têm ocorrido confrontos entre militares e membros de uma milícia local, segundo refere o alto-comissário para os Direitos Humanos. Zeid Ra'ad Al Hussein.

O responsável da ONU apelou ao regime da RDC para lançar uma investigação sobre o caso, advertindo que caso tal não aconteça o assunto seguirá para o Tribunal Internacional Criminal.

Em resposta, um porta-voz do regime do Presidente Joseph Kabila diz que a ONU terá de lhes fornecer as provas que possui e que, em seguida, irão começar a investigar. Anteriormente, o regime negou a utilização de força desproporcionada contra membros da milícia, que dizem usar machetes e espingardas artesanais, acusando-os ainda de terem cavado outras valas comuns.

O alto-comissário afirmou que “a descoberta de mais valas comuns e relatórios denunciando violações e abusos de direitos humanos mostram o horror que ocorreu em Kasai nos últimos nove meses”.

Na declaração divulgada esta quarta-feira, Zeid indicou que as Nações Unidas possuem testemunhos de que soldados da RDC cavaram sepulturas após os confrontos com a milícia Kamuina Nsapu na região de Kasai Central, em março.

“Foi relatado que pelo menos 70 pessoas, incluindo crianças, foram mortas por soldados” nos confrontos, referiu, não dando pormenores sobre a identidade das fontes denunciantes.

Num outro caso ocorrido no mês passado na capital da província, Kananga, foi indicado que os militares mataram pelo menos 40 pessoas e violaram mulheres e meninas, referiu ainda o alto-comissário. A maior parte das vítimas foi morta nas suas casas pelos soldados, que percorreram porta a porta à procura de membros da milícia.

A ONU já encontrou no total dados relativos a 40 valas comuns e sobre mais de 400 pessoas assassinadas nas províncias de Kasai Central e Kasai Oriental. Os confrontos têm ocorrido em Kasai desde que em agosto forças da Retpública Democrática do Congo mataram o líder da milícia que possui o seu nome, desencadeando reações de retaliação.

A decisão do Presidente Joseph Kabila de permanecer no poder após o fim do seu mandato, em dezembro, levou a sublevações em diferentes pontos do país. Na semana passada, foi devolvido o corpo do líder da milícia à sua aldeia, algo que era uma das principais reivindicações do grupo armado.

A milícia Kamwina Nsapu é acusada de recrutar crianças e de atacar autoridades estatais, escolas e igrejas,