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Fox News despede apresentador por assédio sexual

O conservador apresentava o programa há mais de 20 anos.

BRENDAN MCDERMID/REUTERS

O canal norte-americano Fox News afastou na quarta-feira o apresentador veterano Bill O’Reilly, após um escândalo de assédio sexual que envolveu o pagamento de 13 milhões de dólares para silenciar as queixosas

Miguel Rebocho Pais

O apresentador Bill O’Reilly, do canal de notícias norte-americano Fox News, autor do programa The O'Reilly Factor e grande apoiante de Trump, foi afastado na quarta-feira devido a casos de assédio sexual. No início de abril, o jornal "New York Times" revelou que cinco mulheres tinham recebido, da companhia-mãe 21st Century Fox, 13 milhões de dólares (mais de 12 milhões de euros) para se manterem em silêncio acerca do comportamento de O’Reilly.

As mulheres que acusam o comentador político de 67 anos são empregadas ou convidadas do programa, que o apresentador conduzia em horário nobre há mais de 20 anos. As cinco queixosas alegam que O'Reilly fazia comentários obscenos e agressivos. Uma delas afirma mesmo que, durante uma chamada telefónica, lhe pareceu que o apresentador se masturbava.

A família Murdoch, que detém a 21st Century Fox, fez circular pelos empregados da companhia um comunicado onde se diz que “no que diz respeito a audiências, Bill O’Reilly é uma das personalidades que mais alcançou na história da televisão por cabo. O seu sucesso é indiscutível”. Apesar dos elogios, o comunicado garante que O’Reilly não voltará ao programa e sublinha o "empenho em criar um ambiente profissional com valores de confiança e respeito”.

A promessa relembra outro caso, no ano passado, de despedimento por comportamentos inapropriados. Em julho de 2016, Roger Ailes, então diretor da Fox News, também saiu do canal devido a acusações de assédio. Tanto Ailes como O'Reilly negam as acusações. Os pagamentos feitos pela companhia às mulheres, a troco do seu silêncio, já estão na mira da procuradoria-geral dos Estados Unidos, segundo o "New York Times”.

O mesmo jornal dá conta do apoio de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos a O'Reilly. Trump, que também já se viu acusado por assédio sexual, afirmou que O’Reilly é um “bom homem” e que não acredita que tenha feito nada de errado.

O’Reilly, um conservador conhecido pelo seu tom populista e inflamatório, criticava frequentemente os “media liberais”. Auferia um salário mensal de 1,5 milhões de dólares (quase 1,4 milhões de euros). Vai agora ser substituído por Tucker Carlson, também jornalista da Fox News.