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Internacional

EUA acusam Irão de “provocações alarmantes em curso” para desestabilizar o Médio Oriente

Mark Wilson

Um dia depois de reconhecer que Teerão está a respeitar o acordo nuclear de 2015, Rex Tillerson acusa o país de estar a minar os interesses dos EUA no Líbano, no Iraque, na Síria e no Iémen

O secretário de Estado norte-americano acusou esta quarta-feira o Irão de “provocações alarmantes em curso” para desestabilizar o Médio Oriente e minar os interesses da América na região, um dia depois de ter ordenado uma revisão do acordo nuclear que a administração Obama conseguiu alcançar com o Governo iraniano há dois anos.

Na terça-feira, Rex Tillerson tinha notificado o Congresso americano sobre o cumprimento daquele acordo por Teerão; na carta que enviou ao líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes sublinhava que, apesar de o país estar a respeitar o acordo alcançado em julho de 2015, que implicava a suspensão do seu programa nuclear, os EUA continuam preocupados com o alegado patrocínio de atividades terroristas pelo Estado iraniano – razão pela qual o Presidente Donald Trump ordenou uma revisão do tratado em vigor.

Esta quarta-feira, em novas declarações públicas sobre o assunto, o chefe da diplomacia norte-americana avisou que “um Irão sem controlo tem o potencial de percorrer a mesma rota que a Coreia do Norte e de levar o mundo atrás” –isto depois de, também na terça-feira, Washington ter acusado Pyongyang de tentar “provocar algo” com o teste falhado de um míssil no fim de semana, e de o regime de Kim Jong-un ter respondido que vai começar a testar mísseis “semanalmente”, com o aviso de que qualquer ação militar dos EUA conduzirá a uma “guerra total”.

A revisão do acordo iraniano, explicou Tillerson no dia seguinte, vai servir para analisar não só o cumprimento das condições nele previstas mas também as ações do país no Médio Oriente. Aos jornalistas, o secretário de Estado acusou Teerão de estar a minar os interesses dos EUA no Líbano, no Iraque, na Síria e no Iémen.

“Uma política abrangente para o Irão exige que demos respostas às ameaças que o Irão representa e é claro que existem muitas”, disse numa conferência de imprensa no Departamento de Estado.

Apesar de reconhecer publicamente que os iranianos têm estado a cumprir os termos do acordo, algo que já tinha referido na notificação ao Congresso, Tillerson repetiu que existem preocupações sobre o país ser “um patrocinador estatal do terrorismo”.

Teerão continua sem reagir oficialmente às recentes declarações da administração Trump, depois de ter passado anos a desmentir acusações do Ocidente de que algum dia tentou desenvolver armas nucleares.

Durante a campanha presidencial, o atual Presidente descreveu o acordo de 2015 como “o pior de sempre”, assumindo a postura contrária à do antecessor e da restante comunidade internacional. Durante as negociações entre Teerão e o P5+1 (China, França, Rússia, Reino Unido, EUA + Alemanha), Barack Obama argumentou que o acordo era a melhor forma de impedir que o país desenvolvesse armas nucleares.

Após a aplicação do acordo, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) certificou que o Irão restringiu em muito as suas atividades nucleares, levando o Ocidente a levantar as sanções aplicadas a personalidades e empresas do país.

Em fevereiro, pouco depois de Trump tomar posse, a nova administração aplicou novas sanções ao Irão por causa de um teste de míssil balístico; na terça, Tillerson tinha avançado aos legisladores que essas sanções poderão ser suspensas se a revisão do acordo comprovar que Teerão já não representa uma ameaça.