Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Descobertas crianças a morrer à fome em orfanatos da Bielorrússia

Quase 100 crianças e jovens encontradas a morrer à fome em orfanatos da Bielorrússia, avança o “Guardian”. Uma das jovens pesava menos de 12 quilos

Miguel Rebocho Pais

Quase 100 crianças foram encontradas em grave estado de malnutrição em orfanatos da Bielorrússia, segundo o jornal britânico “Guardian”. A situação foi descoberta quando o pediatra de um dos orfanatos convidou a comunicação social para reportar um evento de angariação de fundos para comprar comida especial para os jovens com carências alimentares.

As autoridades bielorrussas já iniciaram uma investigação. Os procuradores a cargo do caso afirmam que as crianças foram vítimas de negligência, uma vez que “foram privadas da nutrição médica de que precisavam não apenas no orfanato de Minsk [a capital] mas também noutros”. Já foram despedidos dois diretores de instituições de acolhimento.

O diretor de um dos orfanatos culpou mesmo o estado psicológico das crianças. Para Vyacheslav Klimovich, “a razão pela qual não ganham peso não está na má nutrição mas na sua psique. Não está lá um cérebro, eles têm processos completamente diferentes.” Ella Borisova, diretora de um orfanato na cidade de Cherven, no centro da Bielorrússia, acredita que, mesmo com recurso a nutrição especial, as crianças não ganham peso suficiente.

Vários dos jovens foram encontrados em condições de extrema debilidade. Borisova afirma que “as crianças nunca andaram, estão sempre na cama. Não têm músculos. As suas pernas são palitos cobertos por pele”. A revista bielorrussa Imena publicou fotografias de uma jovem de 20 anos, num orfanato de Minsk, que pesava menos de 12 quilos. Outros dos adolescentes encontrados não pesavam mais de 15 quilos.

Marina Fedorenchik, subdiretora de um orfanato, explica que “a maioria das crianças são-nos trazidas para passarem cá o resto da vida”, acrescentando que muitas possuem deficiências mentais. A alimentação especial necessária para vários dos jovens tem de ser prescrita por um médico para que possa ser comparticipada pelo Estado. Mas a ajuda nunca chega, porque os hospitais responsáveis não prestam atenção a crianças que consideram não ter futuro, segundo representantes oficiais do Governo citados pelo “Guardian”.