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Parlamento britânico pronto para aprovar eleições antecipadas a 8 de junho

CHRIS J RATCLIFFE

Anúncio-surpresa de Theresa May apanhou os deputados desprevenidos. Trabalhistas e Liberais Democratas deverão aprovar o plano na votação desta tarde. Jeremy Corbyn já prometeu "fazer o que há a fazer" ao longo das próxima seis semanas

Uma maioria qualificada de deputados britânicos está preparada para aprovar o plano de Theresa May para convocar eleições antecipadas a 8 de junho, quase um ano depois do referendo ao Brexit, avança hoje a BBC. A proposta devotação antecipada deverá assegurar esta tarde a maioria de dois terços na Câmara dos Comuns, depois de Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista, ter aplaudido o anúncio surpresa feito pela primeira-ministra conservadora na terça-feira.

Ontem, May declarou ao tablóide "The Sun" que quer que as eleições, inicialmente previstas para 2020, sejam antecipadas para este ano a fim de assegurar um apoio claro dos cidadãos às negociações de saída da União Europeia, sob o argumento de que "fazer jogos políticos" põe em risco as discussões com Bruxelas.

Graças à Lei Parlamentar do Mandato Fixo, é possível antecipar as eleições legislativas se dois terços dos deputados aprovarem a proposta do governo. Uma moção nesse sentido vai ser apresentada e votada esta quarta-feira à tarde. Os Liberais Democratas deverão votar a favor, alinhados com os trabalhistas, o principal partido da oposição; o Partido Nacionalista Escocês deu ontem a entender que os seus deputados vão abster-se.

No último século, o Reino Unido já teve 24 governos, metade deles sem eleições diretas, incluindo o atual governo de May, que tomou posse na sequência da demissão de David Cameron depois da vitória do 'sim' no referendo de junho. Depois de ter passado meses a insistir que não iria antecipar a ida às urnas por causa das negociações do Brexit, May explicou ontem ao "The Sun" que decidiu fazer inversão de marcha porque teve uma "oportunidade real de pensar sobre isto" durante as férias da Páscoa e concluiu que a sua posição negocial poderia ficar enfraquecida se não garantisse um mandato forte.

"O que eu espero que resulte destas eleições é que a população diga que concorda com o plano para o Brexit, para eu ter o apoio do povo britânico quando for à Europa", declarou. Sobre a decisão de antecipar a ida às urnas, May explicou que manter a data de 2020 seria prejudicial para os interesses do Reino Unido nas negociações com Bruxelas. "Se estivermos a negociar numa altura muito próxima de eleições gerais, penso que os europeus podem ver isso como um tempo de fraqueza em que podem pressionar-nos. Agora vamos estar muito mais livres."

Alguns membros da oposição que não concordam com esta decisão já acusaram a primeira-ministra de estar "a tentar travar-nos a cada passo" na rota até à saída da UE, inédita na história do bloco regional. em declarações à BBC, a secretária de Estado do Interior, Amber Rudd, repetiu o argumento apresentado por May sobre alcançar uma maioria forte que vai dar ao governo "a oportunidade de chegar a potenciais compromissos dentro da UE".

Uma fonte trabalhista próxima de Corbyn avançou ao mesmo canal que há um "ambiente muito positivo" entre os colegas perante o anúncio e o que é antecipado como "a luta pelas nossas vidas".Os membros da oposição, garantiu a mesma fonte, "estão preparados para lutar", perante uma decisão do governo que consideram ser uma "tentativa de enganar o povo". Segundo o correspondente político da BBC, ontem Corbyn declarou aos seus deputados: "Não subestimo o que temos para fazer, temos seis semanas para o fazer e vamos fazer o que há a fazer."