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Internacional

Trump distancia-se da União Europeia e congratula Erdogan pela vitória no referendo

Mark Wilson

Questão síria continua a representar o maior risco para as relações bilaterais entre os dois aliados da NATO

Donald Trump deu esta segunda-feira os parabéns ao Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan pela vitória do "sim" no referendo a uma série de alterações constitucionais, que vão expandir em muito os seus poderes e que, apontam analistas, arriscam conduzir a Turquia para uma autocracia ao leme do seu atual líder.

No telefonema com o homólogo turco, o Presidente norte-americano distanciou-se dos seus aliados europeus que, a par da oposição do país e dos observadores internacionais que acompanharam a votação, têm advertido que o resultado à tangente (51,4% votaram "sim") expõe profundas divisões na sociedade turca e não garante consenso quanto às alterações no documento fundamental da nação.

Erdogan continua a rejeitar o criticismo internacional, dizendo que foi favorecido por uma "campanha sem igual", já depois de ter usado o discurso da vitória para referir uma "vitória clara" que representa "todos os turcos e toda a Turquia". "Remetam-se ao vosso lugar", declarou esta segunda-feira numa mensagem dirigida aos que estão a contestar os resultados.

Apesar de a oposição ter prometido que ia exigir a recontagem parcial dos votos por causa de irregularidades nas urnas, a comissão eleitoral da Turquia já validou a vitória do "sim" por uma curta margem, numa decisão que não pode ser alvo de recurso, como explicou ao Expresso Ilter Turan, professor emérito da Universidade Bilgi em Istambul.

Também esta segunda-feira, o governo turco antecipou em uma semana a extensão do estado de emergência em todo o país, uma medida que foi inicialmente introduzida no rescaldo do golpe falhado de julho e que estava prestes a expirar.

Como referia o especialista turco ao Expresso, para já ainda não se sabe qual é a agenda que Erdogan pretende seguir a nível externo agora que pode recandidatar-se à presidência e ficar no poder até 2029. A Síria é o grande tema que ameaça as relações bilaterais Ancara-Washington: tal como os EUA, o governo turco não apoia o governo sírio de Bashar al-Assad mas, nos últimos anos, condenou igualmente o apoio dado pela administração Obama aos combatentes curdos que estão no terreno a lutar contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Para a Turquia, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) são um grupo terrorista ligado ao ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que lutam pela autodeterminação do povo curdo no território turco desde 1984. A Turquia, um aliado estratégico da NATO, tem estado a aproximar-se da Rússia aliada de Assad, baralhando ainda mais o xadrez geoestratégico.

  • “O regresso da era dos sultões”

    Apesar das irregularidades registadas durante a votação, é improvável que a oposição turca consiga reverter os resultados do referendo deste domingo, no qual 51,5% dos eleitores votaram a favor de alterações à Constituição para acabar com a democracia parlamentar e fortalecer os poderes do Presidente Erdogan. Ao Expresso, Ilter Turan, professor emérito de ciência política na Universidade Bilgi de Istambul, diz que a crise diplomática de março entre Ancara e algumas capitais europeias ajudou à vitória do “sim” e explica como, para já, ainda não é possível antever o que vai acontecer

  • OSCE considera que referendo turco não foi democrático

    A falta de igualdade de oportunidades, cobertura mediática parcial e restrições às liberdades fundamentais são fatores verificados pelos observadores do Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) ao referendo que deu a vitória ao reforço dos poderes do Presidente Erdogan