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Primeira-ministra escocesa acusa May de querer impor Brexit duro

Drew Angerer/GETTY

Chefe do governo escocês considera que as eleições antecipadas no Reino Unido devem forçar um “Brexit duro e cortes mais profundos”

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, acusou esta terça-feira a chefe do governo britânico, Theresa May, de querer impor um Brexit duro ao anunciar a realização de eleições legislativas antecipadas no Reino Unido para 8 de junho.

Numa declaração divulgada na sua conta na rede social Twitter, a líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) pediu aos eleitores daquela região para "defenderem" a Escócia nas próximas eleições.

Nas últimas semanas, Nicola Sturgeon iniciou os procedimentos legais para convocar um segundo referendo sobre a independência da Escócia, por considerar que a região votou a favor da permanência britânica na União Europeia (UE) e porque rejeita um 'Brexit' duro, ou seja, a saída do Reino Unido do bloco europeu mas também do mercado único, da união aduaneira europeia e do Tribunal Europeu de Justiça.

Com estas eleições, os conservadores (força política de May) "veem uma oportunidade de colocar um Reino Unido à direita, forçar um 'Brexit' duro e impor cortes mais profundos", disse a primeira-ministra escocesa.

Também num comunicado divulgado esta terça-feira, Nicola Sturgeon assinalou que o anúncio de eleições antecipadas representa a alteração política "mais extraordinária" na "história recente" do país, acusando May de colocar os interesses do seu partido à frente dos interesses do país.

"Claramente, está a apostar que os conservadores [conhecidos como 'tories'] vão ganhar com uma grande maioria na Inglaterra tendo em conta a confusão absoluta em que está o Partido Trabalhista", acrescentou a líder escocesa.

"Isto torna mais importante a proteção da Escócia de um partido conservador que vê agora a oportunidade de controlar o governo durante muitos anos e de colocar o Reino Unido mais à direita", reforçou Nicola Sturgeon na mesma nota informativa.

Segundo a líder do SNP, força que detém 54 lugares na Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico), Theresa May cometeu um "grande erro de cálculo" ao antecipar as eleições legislativas, que deveriam realizar-se apenas em maio de 2020.

"O SNP vai sempre colocar em primeiro lugar o povo da Escócia. Entre hoje e 8 de junho, vamos trabalhar mais do que nunca para manter a confiança das pessoas", disse Sturgeon.

A força política da primeira-ministra escocesa é a terceira formação mais representada na Câmara dos Comuns, atrás dos conservadores e dos trabalhistas.

Nicola Sturgeon espera convocar uma consulta pública sobre a independência da Escócia entre o outono de 2018 e a primavera de 2019, altura em que é espectável que o país tenha uma ideia mais clara como será a futura relação entre o Reino Unido e o bloco europeu.

No passado dia 29 de março, May ativou o artigo 50.º artigo do Tratado de Lisboa, dando início ao processo de negociações sobre o 'Brexit', como ficou conhecida a saída do Reino Unido da UE.

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