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Internacional

Nicolás Maduro quer armar um milhão de civis

MARCO BELLO/REUTERS

O Presidente venezuelano quer reforçar a Milícia Nacional Bolivariana “contra a agressão anti-imperialista” e garante que os seus opositores não o conseguirão intimidar

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, vai armar um milhão de civis como elementos da Milícia Nacional Bolivariana, um corpo de apoio às Forças Armadas e que conta já com centenas de milhares de efetivos.

Maduro falava esta segunda-feira no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, precisamente durante a celebração do 7.º aniversário da Milícia Nacional, ato que foi transmitido em simultâneo e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões do país.

Numa primeira etapa, o objetivo é atingir 500 mil operacionais, até “alcançar a grande meta indispensável que nos deixou o comandante Hugo Chávez de um milhão de milicianos”, declarou o Presidente.

Os recursos estão aprovados, acrescentou Maduro, “para que hajam milicianos nos campos, universidades, na classe operária, para conseguir um sistema organizado de logística, para garantir a sua dispersão permanente, a habilidade para manejar o sistema de armas, para defender o bairro, o Estado, as costas, os rios, a selva e as cidades”.

“Todo este território tem que ser inexpugnável contra a agressão anti-imperialista”, concluiu Nicolás Maduro.

Numa altura em que a sua liderança está a ser fortemente contestada, com os opositores a exigirem a realização de eleições (uma nova manifestação está convocada para quarta-feira), o Presidente venezuelano garante que não o conseguirão intimidar.

“Não me intimidaram, nem me intimidarão jamais. Não é tempo de traição, que cada um se defina se está com a pátria ou contra ela. Não é tempo de traição, é tempo de lealdade”, sublinhou.

Aviso à oposição

Maduro anunciou na noite de domingo a saída à rua do Exército, numa marcha “em defesa da moral” e “em repúdio aos traidores da pátria”.

Cercado pelos seus ministros no palácio de Miraflores, sede da Presidência da República, o Presidente descreveu a mobilização como uma exaltação “da moral, da honra, da união cívico-militar, do compromisso com a pátria” e como um aviso à oposição.

Por outro lado, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, reforçou que “as Forças Armadas preservam a sua unidade monolítica, granítica e ratificam a sua lealdade incondicional ao senhor Presidente”.

Nas vésperas da nova manifestação contra Maduro, onze países da América Latina pediram à Venezuela que “garanta” o direito a manifestações pacíficas.

“Apelamos ao Governo da República bolivariana da Venezuela que garanta o direito de manifestação pacífica”, declararam a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai, num comunicado divulgado por Bogotá.

Desde o início de abril, cinco pessoas morreram e centenas ficaram feridas em manifestações contra o Governo venezuelano que resultaram em confrontos com a polícia.