Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Candidatos entram na reta final das presidenciais francesas

Segundo as sondagens, Emmanuel Macron (na foto, num comício em Paris) passa à segunda volta, e vence-a

Sylvain Lefevre / Getty Images

Faltam cinco dias para as eleições em França, com o centrista Emmanuel Macron e a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, quase empatados à primeira volta nas sondagens mais recentes. Segunda volta é disputada a 7 de maio. Cerca de 25% dos eleitores continuam indecisos

Os principais candidatos dos 11 que vão disputar a presidência de França dentro de cinco dias organizaram na segunda-feira comícios rivais, inaugurando a reta final de campanha antes da ida às urnas numa altura em que cerca de um quarto da população francesa continua indecisa.

A primeira volta está marcada para 23 de abril, próximo domingo, e todas as sondagens estão a antecipar um segundo turno disputado entre Emmanuel Macron, ex-ministro da da Economia do governo socialista de François Hollande, e Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (extrema-direita).

Neste momento, e agora que os inquéritos de opinião mais recentes colocam Le Pen muito próxima do centrista que está a liderar a corrida, os candidatos estão a aproveitar os últimos suspiros de campanha para tentar atrair os eleitores indecisos, cujos votos poderão ser fulcrais para decidir o futuro de França e da União Europeia.

Em Paris, a líder da extrema-direita declarou ontem aos seus apoiantes que, no próximo domingo, os eleitores vão ser confrontados com uma escolha entre alterar o rumo do país seguindo uma via patriótica ou optar pela “globalização selvagem” defendida pelos seus rivais. Também na capital, Macron apostou numa mesma mensagem de mudança, declarando aos seus apoiantes que “a nossa geração está preparada para mudar”.

De acordo com as sondagens mais recentes, Macron continua a liderar as intenções de voto numa segunda volta, marcada para 7 de maio, embora a corrida esteja a ficar mais renhida à medida que a ida às urnas se aproxima.

Para além de Le Pen e Macron, as presidenciais estão a ser disputadas por outros nove candidatos, entre eles François Fillon, o candidato do Partido Socialista que viu as suas hipóteses reduzidas a quase nada após ter sido acusado de corrupção e abuso de poder, e Jean-Luc Mélenchon, o candidato da extrema-esquerda.

Neste momento, um em cada quatro eleitores continua indeciso, ou seja, cerca de 25% dos franceses, o que aumenta a imprevisibilidade destas eleições, tidas como fulcrais para definir o destino não só do país como de toda a UE, depois da vitória do Brexit há um ano e da vitória do populista Donald Trump nos EUA.

Le Pen, que defende a saída da União Europeia seguindo o exemplo dos britânicos, declarou ontem que “a escolha no domingo é simples: é uma escolha entre uma França que volta a erguer-se ou uma França que está a afundar-se”. E acrescentou: “Deem-nos a França de volta, pelo amor de deus.”

À porta do local onde decorria o comício da extrema-direita, dezenas de pessoas protestaram contra a candidata populista e anti-imigração, com a polícia a entrar em confronto com alguns manifestantes.

Noutra zona da capital à mesma hora, Macron prometeu que os franceses vão “virar a página dos últimos 20 anos porque a nossa geração está pronta para a mudança”. Sobre o papel desempenhado pelo país no bloco europeu, o ex-banqueiro de investimento posicionou-se na ponta diametralmente oposta à da rival: “Nós precisamos da Europa, portanto vamos refazê-la. Vou ser o Presidente da alvorada das nossas ambições europeias.”

Uma das grandes surpresas nesta corrida poderá ser Mélenchon, que tem conseguido angariar mais apoios nesta fase final de campanha graças aos últimos debates televisivos entre os 11 candidatos. Ontem, sob fortes aplausos dos seus apoiantes, o líder da extrema-esquerda congratulou-se por estar tanta gente ali na “segunda-feira a seguir à Páscoa para ouvir um tipo a falar num barco”. “Há alguma coisa no ar!”