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Internacional

25 Nobel da Economia contra Marine Le Pen

Joseph Stiglitz é um dos autores do texto conjunto contra as políticas de Marine Le Pen

Win McNamee/GettyImages

Painel de economistas sinaliza diferenças de pensamento, mas é unânime na defesa da Europa e da moeda única, condenando as propostas da candidata da extrema direita francesa

Vinte e cinco Prémios Nobel da Economia manifestaram-se contra as políticas anti-europeias defendidas por Marine Le Pen e acusaram os candidatos ao Palácio do Eliseu de “instrumentalizar o seu pensamento económico” no âmbito da campanha eleitoral francesa, num artigo publicado esta terça-feira no jornal “Le Monde”.

Joseph Stiglitz, Jean Tirole, Bengt Holmström ou Chris Pissarides são alguns dos laureados que escreveram um texto conjunto a condenar as políticas propostas pela líder da Frente Nacional e candidata da extrema-direita às eleições presidenciais francesas, que decorrem no próximo domingo.

“Os programas anti-europeus desestabilizam a França e colocam em causa a cooperação entre países europeus, que garante hoje a estabilidade económica e política na Europa”, pode ler-se no texto conjunto.

Os economistas criticam a intenção de Marine Le Pen em expulsar estrangeiros do país, deixar o espaço Schengen e retomar a circulação do franco, após França deixar a zona euro. “Há uma grande diferença entre escolher não aderir ao euro e sair depois de o ter adotado”, sublinha o painel.

As políticas isolacionistas e protecionistas são “meios perigosos” para gerar crescimento, sustentam os Prémios Nobel, frisando que “contêm medidas de represália e guerras comerciais, que no final se revelam prejudiciais à França, bem como aos seus parceiros comerciais.”

Em defesa da Europa e da moeda única, os economistas alertam para os riscos do regresso ao protecionismo económico e para a limitação de migrantes. “Quando são bem integrados no mercado de trabalho, os migrantes podem constituir uma oportunidade económica para o seu país de acolhimento. Vários dos países mais prósperos do mundo conseguiram acolher e integrar os imigrantes”, recordam.

Alertam ainda para a necessidade de França renovar os compromissos de justiça social, em linha com os valores da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. “Enquanto a Europa e o mundo estão a enfrentar dificuldades sem precedentes, precisamos de mais solidariedade e não de menos. Os problemas são demasiado sérios para serem deixados para políticos que causam ruturas”, conclui o texto.

A cinco dias da primeira volta, as sondagens apontam para a vitória de Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia do executivo de François Hollande, na segunda volta agendada para 7 de maio.