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Presos palestinianos fazem greve de fome em Israel

Manifestantes simulam presos em greve de fome

MOHAMMED SALEM/REUTERS

Cerca de 1500 presos políticos palestinianos começaram esta segunda-feira uma greve de fome por tempo indeterminado contra as condições das prisões israelitas

Miguel Rebocho Pais

Pelo menos 1500 palestinianos entraram esta segunda-feira em greve de fome nas prisões israelitas. A estimativa é do Clube de Prisioneiros Palestinianos (CPP), uma organização não-governamental dedicada a ajudar prisioneiros palestinianos em Israel, citada pela agência France-Presse. O protesto terá começado por iniciativa de Marwan Barghouti, um dos líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e não tem um fim previsto.

Os presos estão espalhados por seis prisões em Israel e protestam a falta de condições em que são mantidos. Contestam a falta de cuidados médicos e a obrigação de pagarem pelos tratamentos do seu próprio bolso. Amina al-Taweel, porta-voz do Centro de Estudos para os Prisioneiros Palestinianos, avisa que algumas pessoas chegam a esperar quatro anos por cirurgias. Segundo o Gabinete Central de Estatísticas da Palestina, já terão morrido 50 palestinianos por negligência médica nas prisões de Israel.

Aos presos também é negado o direito de reunião e de comunicação frequente com as suas famílias. Reivindicam ainda o fim das celas solitárias e das “detenções administrativas”, que permitem ao Estado israelita deter e prender indivíduos sem julgamento nem provas. Nesta situação estão cerca de 500 presos, de acordo com a Addameer, uma organização de solidariedade com os prisioneiros palestinianos.

No total, Israel mantém mais de 6500 palestinianos presos, incluindo 300 menores de idade e 13 antigos deputados.

Amina al-Taweel afirmou que “o Governo israelita será responsável por toda e qualquer consequência desta greve de fome. Se um prisioneiro morrer ou ficar doente, serão eles que terão de lidar com as consequências.”

Segundo o CPP, as autoridades prisionais israelitas já retiraram os bens das celas dos prisioneiros que aderiram à greve. Alguns estão mesmo a ser transferidos para outras prisões.