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Internacional

Nicolás Maduro ordena desfile militar contra a oposição

Manifestante pega fogo a efígie de Maduro no domingo de Páscoa, por ocasião da "queima do Judas"

MARCO BELLO/REUTERS

A 48 horas de uma marcha da oposição em Caracas, Nicolás Maduro decreta um desfile militar em repúdio dos “traidores à pátria”

Miguel Rebocho Pais

Por ordem do presidente venezuelano Nicolás Maduro, as forças armadas do país desfilam esta segunda-feira em “defesa da moral” e “repúdio aos traidores à pátria”. A parada militar tem lugar a dois dias de um protesto em Caracas, a capital, organizado pelas forças da oposição, maioritária no Parlamento.

No domingo à noite, Maduro anunciou a partir do palácio presidencial que a Força Armada Nacional Bolivariana estaria desde a alvorada de segunda-feira a mostrar o seu empenho, dando “vivas à união cívico-militar e à revolução bolivariana”. O chefe de Estado descreveu o desfile como “uma jornada em defesa da moral e da honra”, que repudia “traidores à pátria que triangulam conspirações do exterior, desde Miami, Bogotá e Santo Domingo”.

Henrique Capriles, líder da oposição parlamentar a Maduro, pediu recentemente à Colômbia que ajudasse a combater a escassez de comida e medicamentos na Venezuela. Reclama ainda a libertação de Leopoldo López, antigo líder da Mesa de Unidade Democrática, a coligação partidária que ganhou as eleições e é a principal força de oposição ao Partido Socialista Unido da Venezuela presidido por Maduro. López foi preso em 2015 por associação criminosa, incitamento à desordem pública, danos à propriedade e incêndio.

Desde 30 de março, quando o Supremo Tribunal da Venezuela decidiu chamar a si os poderes do Parlamento, os protestos no país têm-se multiplicado. Embora este "golpe constitucional" tenha sido abandonado, as manifestações contra Maduro continuam e nem sempre são pacíficas. Nas duas últimas semanas terão morrido cinco pessoas nos vários protestos, segundo o jornal El País. Maduro deixa um aviso a manifestantes da oposição que reconheça como desordeiros: “não me vai tremer o pulso para fazer justiça”.