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Mike Pence diz que “a era da paciência estratégica” com a Coreia do Norte acabou

AHN YOUNG-JOON

Declaração foi feita pelo vice-presidente dos EUA em visita à zona desmilitarizada que divide a península coreana, num momento de alta tensão com Pyongyang

O vice de Donald Trump, Mike Pence, anunciou esta manhã o "fim da era da paciência estratégica" dos EUA com a Coreia do Norte, um dia depois de um novo teste de míssil de Pyongyang ter falhado.

A declaração foi proferida pelo número dois da administração norte-americana à chegada à zona desmilitarizada que divide as duas Coreias, numa visita que acontece numa altura de tensões acrescidas na península, horas antes do início de novos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul para garantir que as forças estacionadas na região estão preparadas para enfrentar o regime de Kim Jong-un, noticiaram os media sul-coreanos esta segunda-feira.

Pence, cujo pai serviu na guerra da Coreia, falou esta manhã aos jornalistas na vila de Panmunjom, onde o armistício de 1953 foi assinado pelas duas Coreias, um dia depois de ter aterrado em Seul. "Houve um período de paciência estratégica, mas a era de paciência estratégica acabou." Os EUA continuam a querer garantir a segurança da península "através de meios pacíficos e de negociações, mas todas as opções continuam em cima da mesa", reiterou o vice-presidente, ecoando declarações recentes de Trump sobre o governo americano estar preparado para "agir sozinho" contra Pyongyang.

Aos jornalistas, Pence voltou a reforçar que os EUA estão empenhados em apoiar a Coreia do Sul, referindo uma "aliança de ferro" e deixando avisos ao Norte de que "não deve ter dúvidas quanto ao empenho" dos norte-americanos em permanecer ao lado dos seus aliados. Antes de visitar a aldeia da trégua, Pence esteve no Campo Bonifas, um posto de comando das Nações Unidas próximo da zona desmilitarizada, depois de no domingo se ter encontado com as tropas norte-americanas que estão estacionadas na região.

Esta segunda-feira, o vice da administração Trump vai encontrar-se com o Presidente interino do país, antes de continuar o seu périplo de dez dias pelo continente asiático. O segundo dia de visita à península aconteceu depois de Pyongyang ter falhado um novo teste de míssil balístico este fim-de-semana, durante as comemorações do 105.º aniversário do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung — algo que Pence classificou como mais uma "provocação" do Norte.

Ontem, o tenente-general HR McMaster, chefe do Conselho de Segurança Nacional do governo Trump, tinha anunciado que os EUA estão a trabalhar "uma série de opções" com a China, naquela que foi a primeira indicação de que os dois países estão a cooperar para tentar encontrar uma solução para a questão norte-coreana. Pequim, o único grande aliado da Coreia do Norte, continua a pedir a Pyongyang que suspenda todos os programas de testes nucleares e de mísseis e a todos os envolvidos que se encontre uma solução pacífica para a questão.

Também ontem, o Presidente Trump, que na semana passada voltou a repetir que os EUA e os seus aliados podem "lidar com" Pyongyang sozinhos caso a China não aumente a pressão ao regime de Kim, já tinha garantido no Twitter que a China "está a trabalhar connosco no problema da Coreia do Norte".

As declarações surgem depois de alguns observadores terem alertado no final da semana passada que a Coreia do Norte pode estar a preparar-se para conduzir um novo teste nuclear na península, o sexto desde 2006. O aviso foi feito na quinta-feira pelo Norte 38, um grupo que monitoriza as atividades militares de Pyongyang a partir dos Estados Unidos e que, com base em imagens de satélites, sugeriu nesse dia que a zona de testes nucleares de Punggye-ri parece estar "preparada e pronta" para um novo lançamento.

Hoje, os cerca de mil militares da Força Aérea norte-americana que estão na Coreia do Sul vão dar início a exercícios de treino com a Coreia do Sul com a duração de duas semanas. Batizado Max Thunder, o exercício conjunto vai envolver cerca de 500 tropas e aviões de guerra sul-coreanos e acontece numa altura em que Pyongyang continua a classificar as ações dos EUA e dos seus aliados como preparativos para uma invasão.