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Internacional

Referendo na Turquia: “sim” lidera contagens de votos

SEDAT SUNA/EPA

Previsões apontam para que os primeiros resultados não definitivos sejam conhecidos por volta das 00h00 locais (22h em Lisboa)

Helena Bento

Jornalista

Eram 17h na Turquia (15h00 em Lisboa) quando as urnas encerraram em todo o país. A população turca já votou no referendo que pretende substituir o regime parlamentar em vigor por um regime presidencialista, alargando os poderes do Presidente Recep Tayyip Erdogan. As previsões apontam para que os primeiros resultados não definitivos sejam conhecidos por volta das 00h00 locais (22h00 em Lisboa).

Depois de o jornal “Yeni Şafak” ter apresentado as primeiras contagens de votos, outros meios de comunicação começaram também a fazê-lo. Com 74.34% dos votos escrutinados (às 16h36, hora de Lisboa), o “Sim” lidera com 54,8%, face aos 45,1% do “Não”, segundo a agência estatal turca Anadolu. Seref Isler, correspondente da BBC na Turquia, diz que “já há pessoas a festejar a vitória do “Sim” nas ruas.

Nas 32 províncias da zona leste do país, as urnas fecharam mais cedo, às 16h00 (14h00 em Lisboa). Na zona oeste, mais populosa, fecharam uma hora mais tarde. Mais de 55 milhões de pessoas estavam registadas para votar e cerca de 380.000 polícias e guardas foram deslocados em todo o país para garantir a segurança do referendo.

Vários eleitores aguardavam esta manhã a abertura de uma das assembleias de voto de Istambul, ainda antes das 8h00 locais (6h00 em Lisboa), hora prevista para a abertura das urnas em todo o país. “Estamos aqui desde cedo para dizer 'não' pelo nosso país, pelos nossos filhos e netos”, disse Murtaza Ali Turgut, antigo funcionário das Finanças, à Associated Press. Outro residente, Husnu Yahsi, de 61 anos, disse: “Não quero entrar num autocarro sem sistema de travagem. Um sistema em que apenas um homem tem poder é precisamente isso”. Noutro bairro da cidade turca, a mesma agência de notícias ouviu o testemunho de uma apoiante de Erdogan: “Sim, sim, sim! O nosso líder é uma dávida de Deus. Vamos sempre apoiá-lo. Ele tem governado o país muito bem”, disse Mualla Sengul.

A ida às urnas não foi pacífica em algumas localidades. A Sky News dá conta de três mortos perto de uma assembleia de voto na província de Diyarbakir, no sudeste do país. Outros meios de comunicação internacionais falam em duas vítimas mortais. Na imprensa estatal, os relatos sobre o sucedido também diferem. Alguns meios dizem que as vítimas se envolveram numa “disputa pela terra”, enquanto outros sugerem foi uma “discussão política” que motivou a zanga e os acontecimentos subsequentes.