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Internacional

Turquia pode vir a ter a maior alteração do sistema governativo desde há 100 anos

Erdogan galvaniza multidões de apoiantes

TURKISH PRESIDENT PRESS OFFICE / EPA

Hoje é o último dia de campanha na Turquia antes do referendo que poderá permitir ao Presidente vir a ter poderes alargados

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Uma presidência executiva e não um parlamento, como até aqui, é o que o Presidente Recep Tayyip Erdogan procura alcançar com o referendo proposto para este domingo. Se o "sim" vencer, Erdogan vao poder operar a maior mudança no sistema governativo desde a fundação da república moderna, há perto de um século.

Os apoiantes defendem que as alterações propostas poderão modernizar o país e os opositores temem, que a confirmação de uma presidência cada vez mais autoritária, resume a BBC.

O novo sistema deixará Erdogan concorrer a mais dois ciclos eleitorais, permitindo-lhe continuar virtualmente no poder até 2029.

A votação segue-se a dois meses de campanha que tem polarizado ainda mais um eleitorado já dividido. Acontece com o estado de emergência declarado após a tentativa de golpe de Estado de julho passado, na qual morreram 265 pessoas e centenas ficaram feridas. Nos meses que se seguiram, o Governo tem procedido a purgas entre os académicos, juízes, advogados, chefias militares e media, prendendo dezenas de milhares de pessoas.

A atmosfera nacional tem sido também abalada por sucessivos ataques terroristas e o impacto da guerra civil na vizinha Síria. A Turquia acolhe atualmente 2,5 milhões de refugiados, a maioria dos quais são sírios.

É muito pouco exata a orientação que podem fornecer as sondagens de opinião, que têm revelado grandes oscilações da opinião, sendo alto o número de eleitores ainda indeciso. Muitos recusaram também participar nas sondagens, dando origem a uma margem de erro muito alta, , escreve o diário britânico "The Guardian".

"Com a permissão de Deus, no domingo à noite a Europa ouvirá a nossa voz", declarou o Presidente num comício na quinta-feira à noite segundo media locais. "Mostraremos que a Turquia não é a velha Turquia depois de 16 de abril".