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Coreia do Norte avisa estar pronta a retaliar com armas nucleares

HOW HWEE YOUNG / EPA

Tensão aumenta em cenário de demonstração de força. Coreia do Norte desfila armamento enquanto homenageia a passagem do 105º aniversário do fundador da nação. Estados Unidos enviam força naval para a península coreana e a China desloca 150.000 militares para a fronteira

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O líder norte-coreano Kim Jong-un passou revista às tropas de honra que desfilaram em Pyongyang na comemoração do 105º aniversário do fundador da nação, Kim Il-sung. Na parada de impressionante rigor pela praça que tem o nome do homenageado, participaram milhares de militares e desfilou novo tipo de armamento montado em rampas, transportadas em camiões. Segundo analistas, aparentam ser novos mísseis balísticos intercontinentais de longo alcance.

Os mísseis balísticos norte-coreanos Pukkuksong de lançamento a partir de submarinos desfilaram, que têm um alcance superior a mil quilómetros, também desfilaram nas artérias da capital, na que foi a sua primeira estreia pública, segundo descreve a AlJazeera.

A exibição sugere que os norte-coreanos estão a desenvolver um "novo conceito de armamento", disse à agência Reuters Melissa Hanham, investigadora do Instituto de Estudos Internacionais Middlebury de Monterey, Califórnia, comentando que a Coreia do Norte "tem o hábito de exibir novos conceitos em paradas antes de os testarem ou lançarem".

Os mísseis foram o tema principal da gigantesca parada à qual Kim Jong-un presidiu. Vestindo um fato preto e camisa branca, o neto do nomenageado cumprimentou demorada e alegremente, segundo a Reuters, o comandante das Forças Estratégicas, o ramo miitar que superintende o arsenal de mísseis.

Damir Sajolj / Reuters

Damir Sajolj / Reuters

DAMIR SAGOLJ

Instabilidade crescente

A dúvida paira sobre as intenções do Presidente dos Estados Unidos relativamente à Coreia do Norte desde o recente ataque norte-americano com mísseis Tomahawk a instalações militares sírias. Os testes nucleares anunciados por Pyongyang, que são vistos como uma ameaça regular aos EUA, Coreia do Sul e Japão, sublinham o desafio às sanções decretadas por aquele país.

Na sua comunicação de ano novo, o líder norte-coreano anunciou que os preparativos para o lançamento de um míssil balístico intercontinental tinham chegado à "fase final". Imagens de sátelite analisadas por peritos confirmam uma crescente atividade na área do sítio de testes nucleares da Coreia do Norte, escreve a Reuters.

Apesar das dúvidas expressas por peritos militares ocidentais de que Pyongyang esteja já em posse de armamento daquele calibre, o Governo norte-coreano declarou que lançaria um míssil capaz de alcançar o território dos EUA.

Estas festividades do "Dia do Sol" estão ensombradas pela tensão internacional que tem escalado nos últimos dias. A Reuters escreve que não havia sinal de presença de convidados militares chineses. Pequim, apesar de aliada da Coreia do Norte, pronunciou-se contra os testes com armamento nuclear e apoiou as sanções decretadas por Washington. A China insistia ontem que a crise deveria ser tratada à mesa das negociações.

Entretanto, as declarações oficiais norte-coreanas sustentam que o país está preparado para dar a resposta mais séria caso os Estados Unidos não pusessem cobro à "histeria mediática". "Não cruzaremos os braços" caso aconteça um ataque preventivo, cita o diário britânico "The Guardian".

"Apelamos a todas as partes para refrearem as provocações e as ameaças mútuas, por palavras ou atos, de modo a não deixarem a situação chegar a um ponto sem retorno", declarou na sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, citado pela agência oficial chinesa Xinhua.

Wang Yi declarou em conferência de imprensa que a região enfrenta uma "situação precária" na qual "existe o sentimento de qe um conflito poderá estalar a qualquer momento".

A China está a levar a sério a situação na região depois de Pyongyang ter ameaçado com um ataque às bases americanas na vizinha Coreia do Sul afirmando que as aniquilaria "em minutos", escreve o "New York Times".

  • Vice-ministro norte-coreano culpa Trump e diz que Pyongyang não vai “ficar de braços cruzados”

    Han Song Ryol, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, afirmou que a Coreia do Norte está num “círculo vicioso” e acusou Trump de estar “sempre a fazer provocações com as suas palavras agressivas”. Tensões entre Washington e Pyongyang aumentaram depois de os EUA terem ordenado a mobilização de um porta-aviões para as águas ao largo da península, como resposta aos vários testes de mísseis que têm vindo a ser realizados