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Vice-ministro norte-coreano culpa Trump e diz que Pyongyang não vai “ficar de braços cruzados”

Kim Jong-un, líder norte-coreano

KNS/GETTY IMAGES

Han Song Ryol, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, afirmou que a Coreia do Norte está num “círculo vicioso” e acusou Trump de estar “sempre a fazer provocações com as suas palavras agressivas”. Tensões entre Washington e Pyongyang aumentaram depois de os EUA terem ordenado a mobilização de um porta-aviões para as águas ao largo da península, como resposta aos vários testes de mísseis que têm vindo a ser realizados

Helena Bento

Jornalista

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Han Song Ryol, disse que os comentários “agressivos” de Donald Trump estão a “causar problemas” e garantiu que Pyongyang não vai “ficar de braços cruzados” face a um eventual ataque preventivo dos EUA.

“Trump está sempre a fazer provocações com as suas palavras agressivas... Não é a Coreia do Norte, são os Estados Unidos e Trump que estão a causar problemas”, afirmou Han Song Ryol numa entrevista exclusiva à Associated Press, durante a qual afirmou também que a península coreana está num “círculo vicioso".

Na quinta-feira, já depois de os EUA terem lançado uma bomba GBU-43, conhecida como “a mãe de todas as bombas”, no leste do Afeganistão, com o objetivo de atingir posições do autoproclamado Estado Islâmico, o Presidente norte-americano abordou a situação na Coreia do Norte e disse que o país “é um problema que será tratado”. Já na terça-feira, Trump deixou uma mensagem semelhante na sua conta no Twitter: “A Coreia do Norte está à procura de problemas. Se a China decidir ajudar, será óptimo. Se não, iremos resolver o problema sem eles”.

Num artigo de opinião publicado no “Global Times”, um jornal tabloide controlado pelo Partido Comunista chinês, Li Jiacheng, investigador na Liaoning University, no nordeste da China, desaconselha Trump de conduzir um ataque contra a Coreia do Norte. “A Coreia do Norte não é a Síria, uma vez que tem capacidade para atacar a Coreia do Sul e o Japão com armas nucleares”. Se os EUA realizaram o tal ataque preventivo de que se tem vindo a falar nos últimos dias, acrescentou o investigador, “Pyongyang irá atacar a Coreia do Sul, o Japão e as forças norte-americanas estacionadas nos dois países. Mais grave do que isso, será uma guerra que vai prolongar-se por tempo indefinido, exigindo uma grande quantidade de energia por parte dos países envolvidos”. “Embora neste momento seja pouco provável que os EUA iniciem uma guerra na península, a imprevisibilidade de Donald Trump faz com que seja difícil prever os seus próximos passos no que diz respeito à política na região”, concluiu Li Jiacheng.

As tensões entre Washington e Pyongyang aumentaram depois de os EUA terem ordenado a mobilização de um porta-aviões para as águas ao largo da península, como resposta aos vários testes de mísseis que a Coreia do Norte tem vindo a realizar. O último teste de um motor para mísseis ocorreu em fevereiro e foi supervisionado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un. Imagens de satélite recolhidas pelo 38 North, um grupo de monitorização das atividades norte-coreanas com sede nos Estados Unidos, mostram que a zona de testes de Punggye-ri parece estar a preparar-se para o que será o sexto teste nuclear de Pyongyang desde 2006. Alguns especialistas acreditam o teste será realizado no próximo sábado, dia que é conhecido como “o Dia do Sol”, em que se celebra o 105.º aniversário do nascimento do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung.

“Se houver guerra, ninguém sairá vencedor”

Esta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse que “um conflito pode rebentar a todo o momento” na Coreia do Norte. Em conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo francês Jean-Marc Ayrault, em Beijing, Wang Yi defendeu que “o diálogo é a única saída possível” e disse que “quem quer que provoque um conflito ou continue a criar problemas na península coreana deverá assumir a responsabilidade histórica e pagar o preço”.

“No dossier nuclear norte-coreano, o vencedor não será aquele que tiver as propostas mais duras ou o que mostrar mais os músculos. Se ocorrer uma guerra, o resultado será uma situação em que todos perdem e ninguém sairá vencedor”, afirmou Wang Yi, citado pelo “South China Morning Post”.