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Internacional

Síria: Acordo permite retirada de civis e combatentes de cidades cercadas

AMMAR ABDULLAH/REUTERS

Acordo mediado pelo Qatar, apoiante dos rebeldes, e o Irão, aliado do regime sírio, prevê que os civis e combatentes que se encontram em Zabani e Madaya, cidades controladas pela oposição e cercadas pelo Exército sírio, abandonem a zona. Em troca, os civis que estão em Fuaa e Kafraya, cidades maioritariamente habitadas por xiitas e cercadas por forças da oposição, vão poder abandonar os locais onde se encontram

Helena Bento

Jornalista

Quatro cidades sírias cercadas pelas forças da oposição e pelo regime de Bashar al-Assad começaram esta sexta-feira a ser evacuadas na sequência de um acordo mediado pelo Qatar, apoiante dos rebeldes, e o Irão, aliado do Presidente sírio.

O acordo prevê que os civis e combatentes que se encontram em Zabani e Madaya, duas cidades localizadas perto da capital do país, Damasco, controladas pela oposição mas cercadas pelo Exército sírio e pelos seus aliados do grupo xiita libanês Hezbollah, abandonem a zona. Em troca, os civis que estão em Fuaa e Kafraya, duas cidades maioritariamente habitadas por xiitas no nordeste do país e cercadas por forças da oposição, vão poder sair dos locais onde se encontram.

Esta sexta-feira de manhã, 60 autocarros saíram de Madaya em direção a Idlib, escreve a Al-Jaazera, que falou com um dos residentes que deixou a cidade, Houssam Mahmmoud. “Os coordenadores acordaram-nos às 3h00 [hora local, 1h00 em Lisboa] e disseram-nos para nos despacharmos. Foram distribuídas malas, uma por cada pessoa. Guardámos alguns dos nossos pertences e corremos como malucos à procura dos nossos autocarros”. Mahmmoud, que teve de deixar a sua mãe para trás, uma vez que esta se recusou “a abandonar a sua casa e a sua cidade”, tem muitas dúvidas sobre o que aí vem. “Dois anos a viver sob cerco, com fome, frio e ataques aéreos, terminam desta forma, com a nossa retirada. Não sabemos para onde é que vamos viver agora. Temos vivido no desconhecido e somos agora transportados para outro desconhecido”.

De acordo com um correspondente da agência de notícias francesa AFP, 80 autocarros provenientes de Foua e Kafraya, localidades cercadas pelas forças da oposição, na província de Idlib, chegaram esta sexta-feira a Al-Rashideen, cidade no leste de Alepo, controlada pelos rebeldes, onde vão ficar a aguardar um novo destino longe da alçada dos rebeldes da oposição. À Al-Jazeera, um ativista na cidade de Foua, que não quis identificar-se, disse que foram lançados “rockets” que tinham como alvo alguns dos autocarros que deixaram a zona. Duas pessoas ficaram feridas. De acordo com o ativista, “há pelo menos 7500 pessoas à espera de ser retiradas de Foua, entre elas 1500 combatentes rebeldes”.

A retiradas de civis e combatentes de zonas cercadas deveria ter começado na semana passada, mas foi adiada pelo menos quatro vezes, escreve a Al-Jazeera. Uma fonte dos rebeldes, citada pelo britânico “The Guardian”, disse que o acordo entrou em vigor esta sexta-feira de manhã. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), que já em março confirmara a evacuação das quatro cidades sírias que nos últimos dois anos estiveram cercadas por forças opostas, confirmou a evacuação destas áreas. O acordo mediado pelo Qatar e o Irão prevê a retirada de mais de 10 mil pessoas, no total, e a transferência de centenas de prisioneiros.