Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Governo afegão sabia do bombardeamento

Department of Defense / HANDOUT

Governo afegão estava em contacto com os Estados Unidos e foi informado do lançamento. Ex-Presidente do país, Hamid Karzai, condenou o uso da bomba

O Governo afegão afirmou na quinta-feira que estava em contacto com os Estados Unidos e foi informado do lançamento em Nangarhar, no leste do país, de uma bomba GBU-43, encontrando-se a avaliar o resultado do bombardeamento. “O Governo afegão estava em contacto e informado do ataque aéreo por forças norte-americanas no distrito Achin, em Nangarhar”, indicou na rede social Twitter Shah Hussain Murtazavi, porta-voz do Presidente afegão, Ashraf Gani.

O assessor de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, disse que o objetivo era acabar com um “sistema de túneis” do grupo radical autodesignado por Estado Islâmico (Daesh), que permitia aos seus aos membros do grupo terrorista “mover-se com liberdade e atacar com mais facilidade os militares norte-americanos e as forças afegãs”.

Uma das primeiras vozes ouvidas contra esta ação militar foi a do ex-Presidente afegão Hamid Karzai. “Nós temos de ser mais duros e de forma veemente condeno o lançamento da última arma, a maior bomba não-nuclear, no Afeganistão, pelos EUA”, escreveu Karzai, na rede social Twitter.

O homem que dirigiu o Afeganistão entre 2004 e 2014 afirmou que “esta não é uma guerra contra o terror, mas o uso equivocado, desumano e mais brutal do país (Afeganistão) como terreno de experiência de novas e perigosas armas”.

O Governo afegão afirmou esta semana que o número de radicais do Daesh no país é inferior a 400 e que em 2016 abateu cerca de 2.500 membros deste grupo, reduzindo a sua presença no país a duas das 34 províncias. A missão da NATO no Afeganistão informou na semana passada que nos últimos dois anos os efetivos do grupo foram reduzidos para metade e o território que controla no país para menos de 40%.

A bomba GBU-43 (Massive Ordnance Air Blast - MOAB), que os Estados Unidos lançaram na quinta-feira no Afeganistão, pesa 9,5 toneladas, das quais 8,4 são explosivos, e consegue uma explosão com um diâmetro de 1,4 quilómetros. Conhecida como “a mãe de todas as bombas”, foi desenvolvida para o Exército norte-americano por Albert L. Weimorts Jr., entretanto falecido, e começou a ser fabricada em 2001 no Laboratório de Investigação da Força Aérea. Trata-se de uma bomba com um comprimento de 9,2 metros e um diâmetro de um metro, pesando 9,5 toneladas, dos quais 8,4 toneladas são explosivos de alta potência.

O diâmetro da explosão provocada por esta bomba atinge os 1,4 quilómetros e a destruição na zona de impacto provocada pela onda de choque é capaz de alcançar uma distância de 1,5 quilómetros do epicentro.

A bomba foi lançada na quinta-feira pela primeira vez em combate, uma vez que até agora apenas foi sujeita a testes, o primeiro dos quais em 2003 na Base da Força Aérea Englin, na Flórida. Um outro teste foi realizado a 21 de novembro do mesmo ano. Uma das principais características desta bomba, a capacidade de atingir grandes profundidades e destruir construções, como túneis, esteve na origem da escolha.

A bomba GBU-43 consegue atingir túneis com grande precisão, tendo sido esta a razão da sua escolha, já que, segundo o general John W. Nicholson, comandante das forças norte-americanas no Afeganistão, os jiadistas têm estado a trabalhar em defesas subterrâneas em “bunkers”.

Esta bomba não nuclear é considerada a segunda mais poderosa, só ultrapassada pelo artefacto explosivo russo FOAB, conhecido como “o pai de todas as bombas”.