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Internacional

Trump reverte críticas à NATO e à China. Aliança militar “já não é obsoleta”

Chip Somodevilla

Ao lado do secretário-geral da organização, o Presidente norte-americano congratulou-se pelas “mudanças” que ele próprio potenciou e que fizeram com que os aliados “agora lutem contra o terrorismo”. Sobre a China, retirou a acusação de que o país é “um manipulador de divisas”

A NATO deixou de ser obsoleta aos olhos de Donald Trump. A garantia foi feita pelo próprio Presidente dos Estados Unidos numa conferência de imprensa ao lado de Jens Stoltenberg, o secretário-geral da aliança, depois de um encontro à porta fechada na Casa Branca.

“O secretário-geral e eu tivemos uma discussão produtiva sobre o que mais pode a NATO fazer na luta contra o terrorismo. Queixei-me disso há muito tempo, eles encetaram mudanças e agora lutam realmente contra o terrorismo. Disse que [a NATO] era obsoleta. Agora já não é obsoleta.”

Ao longo da campanha eleitoral e já depois de ter vencido as presidenciais em novembro, Trump questionou várias vezes os objetivos de se manter a aliança em vigor, questionando o seu propósito e acusando os aliados de não contribuírem o suficiente para ela, não tanto quanto os Estados Unidos.

Depois do encontro, Trump voltou a repetir os pedidos aos membros da aliança para que desembolsem mais dinheiro para financiar os esforços militares dos aliados. “Se outros países pagarem a sua quota-parte em vez de dependerem dos Estados Unidos para fazerem a diferença, vamos todos ficar muito mais seguros”, sublinhou. Aos jornalistas, explicou ainda que pediu a Stoltenberg que a NATO faça mais para apoiar os “parceiros” iraquianos e afegãos.

O secretário-geral agradeceu a Trump por “um encontro excelente e muito produtivo”. A reunião entre ambos aconteceu dois dias depois de a aliança ter integrado o Montenegro na sua lista de Estados-membros, atualmente situada nos 29, e apenas horas depois de Rex Tillerson, o seu secretário de Estado, se ter encontrado com o homólogo russo, Sergei Lavrov, e com o Presidente Vladimir Putin em Moscovo para discutir a situação na Síria.

“As coisas correram muito bem, talvez até melhor do que o que antecipámos”, garantiu o Presidente sobre esse encontro, apesar de ter sublinhado: “Neste momento não estamos a dar-nos bem com a Rússia de todo. Podemos até estar num nível mais baixo de sempre em termos da relação com a Rússia.”

A marcha-atrás em relação à NATO não foi a única feita pelo empresário tornado 45.º Presidente dos EUA na quarta-feira. Numa entrevista com o “Wall Street Journal”, Trump escusou-se ontem a repetir acusações à China sobre o país manipular a sua divisa para se tornar mais competitivo no mercado global — uma acusação que teceu durante a campanha eleitoral e que repetiu assim que tomou posse, a 20 de janeiro. “Eles não são manipuladores da moeda”, garantiu. “Temos uma relação muito boa, uma grande química juntos”, garantiu sobre o homólogo chinês, Xi Jinping, antes de acrescentar: “Penso que a mulher dele é fantástica.”

O “The Guardian” notava esta quinta-feira de manhã que a aparente aproximação à China coincide com este afastamento da Rússia, depois de o governo de Putin se ter recusado a apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ontem levada a votação para condenar o governo sírio de Bashar al-Assad pelo ataque químico que, há uma semana, provocou 89 mortos e 500 feridos na província de Idlib.

Os governos ocidentais responsabilizam as forças de Assad por esse ataque, uma acusação que é desmentida tanto por Damasco como por Moscovo. Na votação de ontem, a China absteve-se — algo que Trump considerou “maravilhoso”. Esta é a oitava resolução de condenação a Assad que o principal aliado do governo de Damasco, Moscovo, veta desde o início da guerra em 2011.