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Internacional

GBU-43, uma arma infernal

A bomba que os EUA lançaram no Afeganistão contra esconderijos do Daesh é a mais poderosa do arsenal americano logo a seguir às armas atómicas

A bomba lançada esta quinta-feira sobre zonas montanhosas do Afeganistão, onde o comando americano pensa existirem fortificações e posições subterrâneas do Daesh, é a mais poderosa do arsenal dos EUA logo a seguir aos armamentos nucleares. O poder de destruição na zona do alvo é comparável ao de uma arma atómica, diferindo desta pela não emissão de radiações ionizantes e não contaminação posterior do terreno.

A GBU-43 esta quinta-feira usada é a última palavra em bombas termobáricas (fuel air munition na designação anglo-saxónica). Utiliza e consome todo o oxigénio da zona circundante para criar uma explosão a altíssima temperatura que, além de incinerar o alvo, o destrói através de uma onda de choque muito maior que a produzida por explosivos convencionais.

Trata-se da evolução de uma arma que remonta aos anos 70 e à Guerra do Vietname, a BLU-82, conhecida como Daisy Cutter (à letra podadora de margaridas), inicialmente usada para terraplenar e desflorestar zonas de selva para permitir a aterragem de helicópteros. Explodia um metro acima do solo, abrindo enormes clareiras na selva. Posteriormente foi usada contra posições fortificadas do Vietcong.

A GBU-43 ficou pronta em 2003. A fotografia foi registada nesse ano durante um teste na Flórida

A GBU-43 ficou pronta em 2003. A fotografia foi registada nesse ano durante um teste na Flórida

U.S. Air Force/ Getty Images

Em 1991 durante a I Guerra do Golfo as forças norte-americanas usaram bombas termobáricas contra as posições fortificadas de Saddam para abrir caminho ao avanço das divisões blindadas. O efeito destrutivo foi de tal ordem que sobreviventes iraquianos acreditaram ter sido atacados com armas atómicas.

Após o 11 de Setembro e no quadro da intervenção militar de tropas dos EUA e da NATO no Afeganistão contra o regime talibã foram usadas bombas termobáricas de grande potência em operações contra esconderijos dos talibãs e da Al-Qaeda nas montanhas, sendo certo que também os soviéticos as tinham usado contra os guerrilheiros afegãos na década de 80.

A GBU-43 ficou pronta em 2003 e foi levada para o Iraque na perspectiva da utilização na II Guerra contra Saddam mas não há confirmação do seu uso operacional que poderá só ter ocorrido hoje.

Tal como a sua antecessora Daisy Cutter, a GBU-43 é lançada de um C-130 modificado e escoltado por outros aviões de combate. Não há dados sobre o seu poder detonante ou raio de acção mas as suas antecessoras de seis toneladas (em vez de dez) tinham um raio de morte da ordem de meio quilómetro.