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EUA lançam no Afeganistão maior bomba não nuclear que possuem

Andrew Renneisen / Getty

Conhecida como a “mãe de todas as bombas”, foi lançada na província de Nangarhar, próximo da fronteira com o Paquistão. A bomba termobárica provoca uma explosão quase tão potente como uma bomba atómica e consome todo o oxigénio da zona atingida. Norte-americanos dizem que tinham como alvo o Daesh

Os Estados Unidos da América lançaram, esta quinta-feira, no Afeganistão “a maior bomba não nuclear” do seu arsenal, de acordo com quatro militares envolvidos na missão, citados pela CNN. A informação foi confirmada minutos depois pelo porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. O Departamento de Defesa garantiu que o alvo era o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

“Os Estados Unidos levam a luta contra o Estado Islâmico muito a sério”, disse Sean Spicer na conferência de imprensa, em que considerou ser “necessário destruir o espaço operacional” do grupo radical.

A GBU-43 é conhecido como “mãe de todas as bombas”, a MOAB, acrónimo de “Massive Ordnance Air Blast” e é uma arma de destruição em massa não nuclear. Foi lançada às 19h32 (16h32 em Lisboa) na província de Nangarhar, muito perto da fronteira com o Paquistão e a cerca de 200 quilómetros da capital, Kabul.

“Esta é a arma certa para reduzir os obstáculos e manter o impulso da nossa ofensiva contra o Daesh”, disse em comunicado John Nicholson, comandante das forças militares americanas no Afeganistão.

O objetivo era atingir os túneis e militares do Daesh em Achin. Adam Stump, porta-voz do Pentágono, citado pelo “Washington Post”, disse que a bomba foi lançada sobre um complexo que se acredita estar a ser usados pelos combatentes do grupo radical.

A bomba termobárica (fuel air ammunition) provoca uma explosão quase tão potente como uma bomba atómica e consome todo o oxigénio da zona atingida. Em 1990/91, foi usada no ataque às defesas de Saddam Hussein, na primeira Guerra do Golfo, e há também indicações de ter sido usada em 2001, na intervenção norte-americana no Afeganistão, que teve lugar depois do ataque às Torres Gémeas, em 11 de setembro de 2001.

No caso das bombas do modelo anterior (de seis toneladas e não de dez), o raio de morte era na ordem dos 600 metros, com aplainamento do terreno e destruição total de pessoas e material na zona atingida.

“EUA tomaram todas as precauções para impedir danos civis”, assegurou o porta-voz da Casa Branca na conferência de imprensa na tarde desta quinta-feira.

A bomba foi lançada no território onde Mark R. De Alencar, um soldado americano de 37 anos, foi morto no passado fim-de-semana durante uma operação contra os jiadistas do Daesh. Pertencia às Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos e foi o primeiro soldado norte-americano a morrer este ano no Afeganistão.

Segundo fontes da CNN, terá o comandante das forças militares americanas no Afeganistão a autorizar o lançamento da bomba. A “mãe de todas as bombas” foi lançada por um avião MC-130 da força aérea norte-americana operado a partir do Comando de Operações Especiais da Força Aérea.

“A mãe de todas as bombas”

É conhecida como a “mãe de todas as bombas” devido ao acrónimo em inglês. MOAB (Massive Ordnance Air Blast) são as iniciais de “mother of all bombs”. A versão russa chama-se “Father of All Bombs” (“Pai de Todas as Bombas”) e é, segundo Moscovo, quatro vezes mais potente do que a sua homónima americana. Equivale a 0,3% da bomba atómica utilizada em Hiroshima, em 1945.

A GBU-43, segundo o site "How Stuff Works”, é considerada uma “de uma das mais inteligentes bombas do mundo”, uma vez que funciona de acordo com um sistema de orientação por satélite. Mede 9,15 metros e contém cerca de 8.165 quilos de tritonal, uma mistura de TNT (Trinitrotolueno) e pó de alumínio.

Cada bomba custa 16 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euro) e, de acordo com o site “Deagel” o Governo norte-americano investiu 314 milhões de dólares (quase 300 milhões de euros) na GBU-43.

Foi construída em 2003 pela companhia de aeronáutica Dynets, no Alabama.