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Internacional

Nove ministros de Michel Temer na lista de 108 políticos sob investigação no Lava Jato

UESLEI MARCELINO / Reuters

Investigação a um terço do governo brasileiro por causa de desvio de fundos da Petrobras ameaça minar os planos do Presidente para aplicar medidas de austeridade, entre elas uma reforma do sistema de pensões, que Temer defende como necessárias para tirar o Brasil da recessão

O escândalo de corrupção na petrolífera estatal brasileira continua a adensar-se, depois de um juiz do Supremo Tribunal ter ordenado a abertura de investigações a nove ministros do atual governo de Michel Temer e a dezenas de deputados de vários partidos por suspeitas de terem aceitado subornos no âmbio de um esquema massivo de desvio de fundos públicos da Petrobras.

A lista, ontem divulgada pelo juiz Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, inclui Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, Moreira Franco, da secretaria-geral da Presidência, Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia, Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional, Aloysio Nunes, dos Negócios Estrangeiros, Blairo Maggi, da Agricultura, Bruno Araújo, das Cidades, Roberto Freire, da Cultura, e Marcos Pereira, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Contam-se ainda o autarca do Rio de Janeiro à data dos Jogos Olímpicos, os atuais líderes das duas câmaras do Congresso brasileiro e quatro ex-Presidentes — Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio 'Lula' da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello — bem como potenciais candidatos às presidenciais de 2018, incluindo Aécio Neves e o ex-chefe da diplomacia José Serra.

As 108 personalidades foram citadas por funcionários da construtora Odebrecht, que no decurso do caso Petrobras, batizado "Lava Jato", assumiu que pagou um total de mil milhões de dólares em subornos a vários políticos. Todos são suspeitos de envolvimento no esquema fraudulento que está a ser investigado há três anos e que passava por tirar dinheiro da estatal petrolífera e canalizá-lo para os bolsos de políticos e para o financiamento ilegal de campanhas. Quando a lista foi divulgada, milhares de residentes de São Paulo bateram em panelas e tachos para protestarem contra a corrupção endémica.

O facto de a investigação abarcar quase um terço do governo de Temer, que tomou posse após o afastamento da Presidente Dilma Rousseff em 2016, ameaça os planos do Presidente para aplicar medidas de austeridade que, defende, são necessárias para tirar a economia brasileira da recessão. Padilha é tido como uma peça essencial para que a reforma do sistema de pensões seja aprovada; reagindo ao comunicado do Supremo, disse apenas que vai defender-se das acusações em tribunal.

Para já, o gabinete de Temer ainda não reagiu oficialmente à lista divulgada por Fachin, embora tenha prometido que vai suspender todos os ministros que sejam formalmente acusados no decurso desta investigação. A nova lista resulta de informações fornecidas ao Supremo por 77 funcionários executivos da Odebrecht como parte de acordos de colaboração com as autoridades em troca de penas reduzidas.

Entre esses conta-se o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ex-CEO da empresa, que já admitiu ter subornado políticos em troca de legislação favorável à sua atividade e de contratos de construção inflacionados com a Petrobras. Os funcionários ouvidos dizem que pagaram tantos subornos que, no decurso do esquema fraudulento, foi criado um departamento especial dentro da Odebrecht para gerir o dinheiro ilícito.