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Internacional

Turquia diz que governo sírio ainda detém armas químicas proibidas

Mevlut Cavusoglu, ministro turco dos Negócios Estrangeiros

PATRÍCIA DE MELO MOREIRA / GETTY IMAGES

Ministro turco dos Negócios Estrangeiros pede medidas adicionais para impedir Bashar al-Assad de as usar

O chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, declarou esta terça-feira que o governo sírio de Bashar al-Assad ainda tem armas químicas em sua posse, sublinhando que os aliados ocidentais devem aplicar medidas para evitar que essas armas sejam utilizadas no cenário de guerra civil, um conflito em curso há mais de seis anos que já provocou pelo menos 250 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados internos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia — que está alinhada com os EUA no combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria, mas que rejeita o apoio dado pelos norte-americanos aos curdos que estão a combater os jiadistas no terreno — diz que foram as autoridades do seu país que, em investigações recentes, apuraram que Assad ainda tem armazenadas armas químicas proibidas.

Em entrevista à televisão estatal TRT Haber a partir de Itália, Cavusoglu também referiu que é cada vez mais urgente conseguir que um governo de transição seja implantado na Síria, sob o argumento de que os riscos de novos ataques químicos vão continuar a existir enquanto Assad permanecer no poder.

As declarações surgem dias depois de o governo norte-americano ter lançado um ataque com mísseis contra uma base aérea das forças de Assad em Homs, no centro da Síria, em resposta a um ataque químico que, há uma semana, provocou pelo menos 89 mortos e 500 feridos em Idlib e que os governos ocidentais atribuem ao regime sírio. Ontem, os EUA já tinham responsablizado a Rússia por não ter garantido a liquidação total do arsenal químico de Assad em 2013.

A Síria e a Rússia, grande aliada de Assad, garantem que a exposição dos civis ao que tudo aponta ser gás sarin aconteceu na sequência de as forças do contestado líder terem atingido um depósito de armas dos rebeldes que atualmente controlam grande parte da província de Idlib e que estariam a desenvolver armas químicas ali.

A Comissão de Investigação das Nações Unidas que investigou os crimes cometidos na Síria documentou, entre 2013 e o início de abril deste ano, pelo menos 25 ataques com armas químicas no país. O último aconteceu no dia 4 de abril, em Khan Sheikhoun, província de Idlib. O balanço da Organização Mundial da Saúde refere 84 mortos (entre os quais 27 crianças) e mais de 540 feridos.

Esta terça-feira, o chefe da diplomacia norte-americana, Rex Tillerson, vai a Moscovo encontrar-se com o homólogo russo, Sergei Lavrov, uma reunião que estava marcada antes do ataque com mísseis de sexta-feira e que vai ser dominada pela situação na Síria. Os países do G7+1, cujos ministros dos Negócios Estrangeiros estão atualmente reunidos em Itália, querem que os EUA convençam a Rússia a abandonar o aliado sírio.