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Sondagem indica que Daesh é mal visto no mundo árabe

AHMAD AL-RUBAYE/GETTY

O autodenominado Estado Islâmico (Daesh) apenas é visto de forma “positiva” ou “muito positiva” por 5% dos inquiridos

O Daesh é mal visto no mundo árabe, com um estudo de opinião divulgado esta terça-feira a concluir que 89% da população tem dele uma perspetiva “negativa” ou “muito negativa”.

O inquérito, realizado pelo Centro Árabe para Estudos de Investigação e Políticas (ACRPS), sediado em Doha, no Qatar, e publicado hoje pelo Centro Árabe de Washington (ACW), foi feito junto de 18.310 pessoas da Argélia, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Palestina, Arábia Saudita, Sudão e Tunísia.

Em relação àquele grupo, Daesh na sigla em Árabe, de cuja existência e atividade quase todos os inquiridos estavam ao corrente, 80% expressaram uma opinião “muito negativa”, 9% “negativa”, 2% “muito positiva” e 3% “positiva”.

Esta visão do grupo terrorista tem-se mantido estável desde 2014, quando a pergunta foi acrescentada ao inquérito, que é feito desde 2011, se bem que a perceção positiva ou muito positiva retrocedeu de 11% para os 5% atuais.

O diretor de investigação e análise do inquérito, Imad Hard, assegurou que os resultados das pessoas favoráveis ao Daesh não estavam relacionados com o Islão, uma vez que os que se identificaram como “não religiosos” apresentavam as mesmas probabilidades dos religiosos de apoiar o grupo.

Com efeito, quase um quarto atribuiu o recrutamento do Daesh a dificuldades económicas, 18% à “lavagem do cérebro” e propaganda, 17% à retórica religiosa e 11% às preocupações políticas internas, com os restantes divididos entre a marginalização e desigualdade, o extremismo individual e o desejo de combater poderes estrangeiros.

Quase metade dos tunisinos atribuiu o recrutamento do grupo radical ao desemprego e à pobreza, mas na Arábia Saudita quase uma quarta parte mencionou a religião.

Cerca de 60% dos inquiridos atribuiu a existência do Daesh às políticas dos poderes estrangeiros, com 29% a apontar os conflitos internos no Médio Oriente.

As opiniões sobre a melhor forma de combater o grupo apresentaram-se muito divididas, com 17% a acreditar em uma resposta militar, 15% no fim da intervenção estrangeira na região e com outros grupos, com percentagens similares, a apontarem a solução do problema palestino, a transição democrática e o fim da crise da Síria.