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Sete do Sul mandam recados para o Norte

Almoço de trabalho no Palácio El Pardo, Madrid. De costas estão António Costa (Portugal) e Paolo Gentiloni (Itália). Seguem-se, pela direita, Alexis Tzipras (Grécia), Nicos Anastasiades (Chipre), Mariano Rajoy (Espanha), François Hollande (França) e Joseph Muscat (Malta)

© Juan Medina / Reuters

Estão a tornar-se rotina os encontros informais dos líderes de sete países do Sul da Europa. Depois de Atenas e Lisboa, Madrid acolheu a terceira cimeira — a primeira após as polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que visaram membros do Sul da UE

Margarida Mota

Jornalista

Pela terceira vez em oito meses, sete países do sul da União Europeia reuniram-se, ao nível de chefes de Estado ou de Governo, para tomarem o pulso à União e pronunciarem-se sobre as questões do momento.

Chipre, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta e Portugal reuniram-se em Madrid, na segunda-feira, numa cimeira informal que tinha como aliciante o facto de se seguir às polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, que visaram alguns países do Sul da Europa.

Numa conferência de imprensa conjunta sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, o Presidente francês, François Hollande, recordou que “graças aos sacrifícios feitos por estes países para reduzir o défice e melhorar a competitividade, a eurozona volta a ser fiável”, escreve o “El País”.

Na mesma linha, Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, pediu a Bruxelas flexibilidade na aplicação das regras europeias e realçou que “os superávites do norte são os défices do sul”.

O drama migratório

Quase todos ribeirinhos ao Mar Mediterrâneo — a exceção é Portugal —, os países reunidos no Palácio El Pardo abordaram a “pressão migratória extrema” que atinge sobretufo o Mediterrâneo Central. “Insistimos que a migração exige um planeamento global”, que passa por “reforçar o diálogo e a cooperação com os países de origem, trânsito e destino das migrações”, mediterrânicos, africanos e asiáticos, lê-se no comunicado final da cimeira de Madrid.

Sendo a Síria, atualmente, a principal fonte desse êxodo dramático, os sete condenaram “o ataque com armas químicas de 4 de abril em Idlib” — que segundo a Organização Mundial de Saúde provocou 84 mortos e 546 feridos —, sem atribuírem autoria. “O uso reiterado de armas químicas na Síria, tanto por parte do regime de Assad desde 2013 como por parte do Daesh, constituem crimes de guerra.”

Os países do Sul da Europa mostram-se “compreensíveis” em relação aos 59 mísseis Tomahawk lançados pelos Estados Unidos contra a base governamental síria de Shayrat, ataque “que tinha a intenção compreensível de impedir e evitar a distribuição e uso de armas químicas”. E reafirmaram que “não pode haver uma solução militar para o conflito”, apenas “uma solução política credível”.

Os sete do Sul reuniram-se pela primeira vez a 9 de setembro de 2016, em Atenas, e depois a 28 de janeiro deste ano em Lisboa. A próxima cimeira terá lugar em Chipre, após as eleições legislativas alemãs de 24 de setembro.