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Polémica com Dijsselbloem: PSD fala em “palhaçada”, Costa insiste que holandês deve abandonar Eurogrupo

O líder do Eurogrupo, Dijsselbloem, acusou Portugal de ter recuado e de não ter aproveitado para pedir a sua demissão na reunião do órgão na sexta-feira. PSD fala em "palhaçada", Costa insiste que o holandês tem que abandonar o cargo. "Depois da primeira reação de Dijsselbloem já nada nos surpreende", reage o PS

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

A polémica não tem fim. E o Governo e o PS acreditam que só terminará quando Jeroen Dijsselbloem deixar a presidência do Eurogrupo.

Esta segunda-feira, em entrevista ao diário alemão “Volkskrant”, o líder do fórum de ministros das Finanças da zona euro admitiu esta segunda-feira que esperava que o “colega português pedisse a sua demissão” na reunião da semana passada. No entanto, tal não aconteceu. “Só o fez antes e depois da reunião, mas isso não quer dizer nada. Quem acha realmente que tenho de me demitir terá de dizer isso durante a reunião. E isso não aconteceu. O colega espanhol tampouco o pediu”, frisou Dijsselbloem. Nessa reunião, aliás, Mário Centeno fez-se representar pelo seu secretário de Estado, Mourinho Félix, que antes da reunião pediu ao holandês que apresentasse desculpas a Portugal.

Questionado sobre as consequências da sua afirmação, o holandês declarou ter o “apoio ativo e passivo” dos colegas do Eurogrupo, acrescentando que alguns acharam “infeliz” a sua observação, enquanto outros compreenderam exatamente a sua mensagem. “Mas quase todos partilham a minha mensagem sobre direitos e deveres”, garantiu.

Insistindo que a sua frase não devia ter sido interpretada à letra, Dijsselbloem considerou que a indignação é uma “zanga em relação a oito anos de política para combater a crise” e tal como havia dito noutras ocasiões, sustentou que a reação do Governo português foi chocante: “A questão ficou fora de controlo, agora parece como se eu tivesse cometido um crime de guerra”.

A resposta seria dada também em entrevista pelo primeiro-ministro português, António Costa. Em Madrid, em declarações à Rádio Nacional de Espanha, insistiu que o holandês devia abandonar o cargo depois de ter dito que “os países da Europa do Sul gastaram o seu dinheiro e copos e mulheres”.

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“Claro que sim [que deve abandonar presidência do Eurogrupo]”, respondeu Costa, acrescentando: “Vamos ver o caminho que as coisas vão tomar. As palavras são insuportáveis para todos nós, mas temos de seguir em frente e trabalhar naquilo que é essencial. O sr. Dijsselbloem está de passagem, mas o euro é um resultado muito importante do trabalho da UE. E é nisso que temos de nos concentrar. Porque é preciso consolidá-lo, completando a união económica e monetária”, disse o primeiro-ministro.

Recorde-se que os grupos parlamentares do Partido Socialista Europeu (PSE) e do Partido Popular Europeu (PPE) pediram oficialmente a demissão do holandês da liderança do fórum de ministros das Finanças da zona euro e exigiram um pedido de desculpas. Também o Governo português, através do ministro dos Negócios Estrangeiros e do primeiro-ministro, apelou à demissão de Dijsselbloem.

Ao Expresso, fonte do Governo sublinha que o apelo para a demissão de Dijsselbloem feito por António Costa continua válido. Questionado sobre o facto de na reunião de sexta não ter sido formalmente exigida a demissão, o Ministério das Finanças diz “nada ter a acrescentar ao que o primeiro-ministro já disse sobre esse assunto”.

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Em declarações ao Expresso, a vice-presidente do grupo parlamentar do PS, Lara Marinho, insiste que “o presidente do Eurogrupo tem conhecimento da posição do Governo português e isso foi transmitido pelo primeiro-ministro e por outros ministros, ou seja, que Dijsselbloem já não reúne condições”.

“Depois da primeira reação dele já nada nos surpreende”, afirma, em relação à crítica que o holandês faz a Portugal na entrevista publicada esta segunda-feira. “Ponto final, se calhar, só há quando ele sair”, afirma, referindo-se ao pingue-pongue de palavras entre o presidente do Eurogrupo de Portugal.

O PSD, por seu lado, ficou chocado com o que também considera ser uma recuo do Governo por, na reunião de sexta-feira, não ter exigido a demissão de Dijsselbloem. “É uma palhaçada que só nos envergonha”, considera o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim. Também Luís Marques Mendes, na SIC domingo à noite, criticou a atitude de “show-off” do Governo português, que, a seu ver, reforçou a posição do presidente do Eurogrupo, considerando que faltou “coragem lá fora”.

O Expresso noticiou no dia 28 de março que o primeiro-ministro holandês ligou a António Costa pedindo explicações sobre a reação do chefe de Governo - considerava as palavras de Costa demasiado duras. Mesmo assim, o homólogo português voltaria a insistir que “o atual presidente do Eurogrupo não tem a menor condição para exercer essas funções”.