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Internacional

G7 debate potenciais sanções à Rússia por causa de apoio ao Presidente Assad

VINCENZO PINTO

Se forem aprovadas, serão as primeiras no âmbito da guerra da Síria contra personalidades russas. Esta terça-feira, o secretário de Estado da administração Trump vai encontrar-se com o homólogo russo em Moscovo mas não com Vladimir Putin

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 vão tentar alcançar consenso quanto à guerra na Síria esta terça-feira, antes de Rex Tillerson, o chefe da diplomacia norte-americana, partir para Moscovo, onde vai encontrar-se com o homólogo russo para tentar convencer o governo de Vladimir Putin a abandonar o aliado sírio.

Antes de partir para a capital russa, o secretário de Estado dos EUA vai encontrar-se com representantes dos países do Médio Oriente que estão alinhados com o Ocidente face ao conflito civil na Síria, que no mês passado entrou no sétimo ano consecutivo e que continua sem solução à vista.

Na segunda-feirsa, no primeiro dia de reuniões dos sete países mais industralizados do Ocidente, a decorrer na Toscânia, em Itália, o Reino Unido sugeriu que o grupo deve adotar sanções rigorosas contra elementos dos Exércitos russo e sírio na sequência de um novo ataque com armas químicas na Síria, que os governos ocidentais atribuem ao governo sírio.

Bashar al-Assad nega ter ordenado o ataque químico contra a cidade de Kahn Sheikhoun, na província de Idlib, atualmente controlada pelos rebeldes, um que na quarta-feira provocou pelo menos 89 mortos e 500 feridos, entre eles várias crianças.

De acordo com uma fonte norte-americana citada pela Associated Press, os russos sabiam que o ataque químico tinha ocorrido graças a um drone (avião não-tripulado) que estava a sobrevoar o hospital daquela cidade quando as vítimas do ataque, alegadamente com gás sarin, começaram a procurar ajuda médica. Horas depois, um caça bombardeou o hospital em questão no que os EUA acreditam ter sido uma tentativa de encobrir o uso de armas químicas, diz a mesma fonte.

Em resposta a isso, Donald Trump ordenou na quinta-feira à noite um ataque com mísseis contra a base aérea de Al-Shayrat, na província de Homs, que segundo o Exército norte-americano terá destruído um quinto dos equipamentos operacionais das forças sírias. Washington já avisou que pode vir a lançar mais ataques contra as tropas e infraestruturas militares de Assad.

Num telefonema citado pela BBC, Trump e a primeira-ministra britânica, Theresa May, concordaram ontem à noite que já não é do interesse estratégico da Rússia continuar a apoiar o Presidente Assad. De acordo com a Casa Branca, o Presidente dos EUA e a chanceler alemã, Angela Merkel, também concordaram que o líder sírio tem de ser responsabilizado pelo que aconteceu.

A postura dos norte-americanos quanto à Síria, contudo, continua por definir. No rescaldo do ataque com mísseis ordenado por Trump, a Casa Branca e a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, assumiram que o combate às forças de Assad voltou a ser uma prioridade; Tillerson, pelo contrário, garantiu que não houve "qualquer alteração da nossa posição militar" em relação à Síria e que derrotar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) continua a ser a "primeira prioridade" de Washington na região.

Na reunião de segunda-feira, o chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, assumiu que potenciais sanções podem vir a ser aplicadas contra russos e sírios no topo das hierarquias militares que tenham estado envolvidos na coordenação de operações militares na Síria. Se forem aprovadas, serão as primeiras a serem adotadas contra elementos russos por causa daquela guerra.

O correspondente da BBC em Lucca, na Toscânia, onde está a decorrer o encontro dos ministros dos EUA, Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Canadá e Japão, mais a chefe da diplomacia da UE, diz que as autoridades britânicas reconheceram ontem que a possibilidade de se adotarem sanções mais abrangentes contra a Rússia pelo apoio prestado ao governo sírio podem encontrar obstáculos da parte de alguns membros do G7, incluindo a Alemanha e Itália.

A Rússia já está sujeita a sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia na sequência da anexação da península ucraniana da Crimeia em 2014 e de uma outra ronda de sanções impostas pela administração de Barack Obama por causa da alegada ingerência russa no processo eleitoral norte-americano.

Num sinal de tensões acrescidas entre os EUA e a Rússia, o Kremlin informou ontem que Tillerson não vai encontrar-se com o Presidente russo, Vladimir Putin, depois de aterrar hoje em Moscovo, apenas com o homólogo, Sergei Lavrov, que vai pressionar para que o governo russo páre de apoiar Assad.

A Rússia já acusou os EUA de lançarem o ataque com mísseis "sob um pretexto inventado", tendo sugerido que este já estava a ser preparado antes do ataque químico da semana passada. Entretanto, os aliados de Assad, da Rússia, do Irão e do Hezbollah libanês, já ameçaram que vão retaliar se os EUA voltarem a atacar as forças sírias.