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Coreia do Norte promete defender-se “pela poderosa força das armas” em resposta a destacamento dos EUA

O porta-aviões Carl Vinson integrou os exercícios militares conjuntos EUA-Coreia do Sul em março

JUNG YEON-JE / Getty Images

Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que envio de frota de ataque dos EUA para a península coreana demonstra que os “atos imprudentes para a invasão” entraram “numa fase séria”

A Coreia do Norte garantiu esta terça-feira que vai defender-se dos Estados Unidos e seus aliados “pela poderosa força das armas” após a administração de Donald Trump ter enviado para a região marítima ao redor da península coreana um porta-aviões e respetiva frota de ataque na semana passada.

Num comunicado citado pela agência estatal KCNA, o Ministério norte-coreano dos Negócios Estrangeiros disse que o destacamento naval demonstra que os “passos imprudentes para a invasão” entraram “numa fase séria”.

“Vamos responsabilizar totalmente os EUA pelas consequências catastróficas espoletadas por estas ações ultrajantes”, lê-se no documento. “A DPRK [República Popular Democrática da Coreia] está preparada para reagir a qualquer modo de guerra desejado pelos EUA.”

O comando dos EUA para o Pacífico diz que o destacamento dos navios de guerra tem como objetivo manter as forças aliadas preparadas para a eventualidade de terem de atuar na região, depois de o Presidente Trump ter garantido que o país está preparado para “agir sozinho” face às ameaças nuclares da Coreia do Norte caso a China não aumente a pressão sobre o regime de Kim Jong-un para que suspenda os testes nucleares e de mísseis balísticos.

Há alguns dias, Trump disse ao primeiro-ministro japonês que “todas as hipóteses estão em cima da mesa”, incluindo a possibilidade de ações militares contra a Coreia do Norte.

A Coreia do Sul e a China, grande aliada de Pyongyang, já avisaram entretanto que o regime norte-coreano será alvo de mais sanções se continuar a conduzir testes de mísseis. Ontem, no rescaldo de um encontro entre o enviado da China para a península coreana, Wu Dawei, e o ministro sul-coreano dos Negócios Estrangeiros, ambos concordaram que terão de aplicar “medidas adicionais fortes” à Coreia do Norte se o país continuar a conduzir testes de mísseis.

Neste momento, a China, de que os norte-coreanos dependem financeiramente, já impôs sanções económicas ao regime de Kim, incluindo a suspensão das importações de carvão norte-coreano desde fevereiro. Entretanto, a Coreia do Sul, os EUA e o Japão estão a preparar uma reunião para o final deste mês na qual será discutida uma resposta coordenada às “ameaças” norte-coreanas, avançou hoje a agência estatal sul-coreana Yonhap.

A frota de ataque Carl Vinson, composta por um porta-aviões e outros navios de guerra, estava em rota para as águas que banham a Austrália quando foi desviada para a parte ocidental do oceano Pacífico, ao largo da costa de Singapura, onde há poucas semanas esteve envolvida em exercícios militares conjuntos com a Marinha sul-coreana.

O consequente destacamento para a península coreana, aponta a Coreia do Norte no comunicado, demonstra que Pyongyang tem razões para desenvolver as suas capacidades nucleares e de autodefesa.

O adensar das tensões na região acontece numa altura em que se amontoam as suspeitas de que as forças de Kim estão a preparar-se para testar um míssil balístico intercontinental, apesar das resoluções de condenação da ONU que proíbem esses e outros testes nucleares e de mísseis. Também há rumores de que Pyongyang está quase a conseguir completar o desenvolvimento de uma ogiva nuclear com capacidades para atingir os Estados Unidos, sob o argumento de que os norte-americanos e os seus aliados regionais se estão a preparar para uma invasão.