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Ativistas dizem que homossexuais estão a ser torturados em campo de concentração na Chechénia

A Rede Russa LGBT diz que está a procurar “evacuar pessoas” face à vaga de perseguição que terá começado após uma manifestação pelos direitos dos homossexuais em Grozny. Mais de 100 terão sido levados para um campo de concentração onde são sujeitos a tortura e há indicações de que três foram assassinados

Ativistas LGBT estão a denunciar uma vaga de perseguição aos homossexuais que estará a ter lugar na Chechénia, acusando as autoridades de terem criado um campo de concentração onde se encontram mais de uma centena de pessoas, que são sujeitas a torturas, havendo indicações de três assassínios.

“Nós estamos a trabalhar para evacuar pessoas”, afirmou à BBC Natalia Poplevskaya da Rede Russa LGBT.

A ativista indicou que os homossexuais ou aqueles que apenas são vistos como tal estão a ser levados para o centro próximo de Argun a cerca de 20 quilómetros de Grozny, a capital da república da Federação Russa de maioria muçulmana.

Falando a partir de São Petersburgo, Poplevskaya disse que estão “a par de uma campanha organizada para detenção de homossexuais na Chechénia”.

“Estão a ser efetuadas torturas com choques elétricos e espancamentos com cabos”, acrescentou, referindo que mais de 30 pessoas estão mantidas numa única cela e que há relatos de três assassínios.

“Na Chechénia, a ordem foi dada no sentido de uma ‘limpeza profilática’ e chegou ao ponto de reais assassínios”, referiu por seu turno o jornal independente russo “Novaya Gazeta”, citando ativistas de defesas dos direitos humanos.

A perseguição terá começado após uma manifestação pelos direitos dos homossexuais em Grozny.

Alexander Artemyev, da Amnistia Internacional na Rússia, referiu ao jornal “Metro” britânico que “este é um dos casos mais difíceis com os os quais nós lidámos”, indicando que não conseguem confirmar sequer a existência do campo de concentração pois “tendo em conta o ambiente homofóbico e os ‘assassínios de honra’ na Chechénia, é quase impossível obter informação confirmada, pois as pessoas têm demasiado medo para falar”.

Anteriormente, um porta-voz do líder checheno Ramzan Kadyrov negara as acusações, alegando que não existem sequer homossexuais na Chechénia. “Você não pode prender ou reprimir alguém que simplesmente não existe na república” , afirmou Alvi Karimov à agência de notícias Interfax. “Se tais pessoas existissem na Chechénia, os agentes da lei nem teriam de se preocupar, uma vez que os seus próprios familiares teriam os enviado para um local de onde eles nunca mais regressariam”, acrescentou.