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Internacional

Tillerson responsabiliza Rússia por não ter impedido ataque químico na Síria

NICHOLAS KAMM

Secretário de Estado norte-americano vai participar num encontro do G7 em Itália esta segunda-feira antes de se encontrar com o homólogo russo amanhã em Moscovo

O chefe da diplomacia norte-americana acusa a Rússia de falhar em prevenir o ataque com armas químicas que, na semana passada, provocou pelo menos 89 mortos na província de Idlib, maioritariamente controlada pelos rebeldes sírios, e que os governos ocidentais atribuem ao governo de Bashar al-Assad.

Moscovo, sublinhou Rex Tillerson no domingo em entrevista à CBS News, aceitou assumir o papel de garantir que todos os depósitos de armas químicas do regime sírio eram destruídos e o facto de ter falhado nessa missão é que tornou aquele ataque possível.

A acusação foi feita um dia antes de um encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, marcado para esta segunda-feira à tarde em Itália, no qual as principais potências mundiais menos a Rússia vão discutir formas de aumentar a pressão sobre Vladimir Putin para que se distancie do Presidente sírio, seu grande aliado.

A reunião do G7 acontece antes de Tillerson seguir para a capital russa, para um encontro oficial que se antecipa complicado com o homólogo, Sergei Lavrov, nem uma semana depois de Donald Trump ter ordenado um ataque com mísseis a uma base aérea de Assad na província de Homs, no centro da Síria.

Os 59 mísseis balísticos Tomahawk foram lançados contra a base na sexta-feira, na sequência do ataque com gás sarin contra a cidade de Khan Sheikhoun na quarta-feira, que vitimou dezenas de civis, incluindo várias crianças.

A Síria desmente ter usado quaisquer armas químicas proibidas e a Rússia já acusou os EUA de não fornecerem quasiquer provas que sustentem a acusação a Assad. Foi o governo russo que, em 2013, facilitou o acordo entre a Síria e o Ocidente para que todo o arsenal químico das forças sírias fosse destruído.

No programa "Face the Nation" da CBS, Tillerson disse no domingo que não existem quaisquer provas que apontem para um envolvimento da Rússia no ataque químico mas, contrapôs, "quer a Rússia tenha sido cúmplice ou simplesmente incompetente ou tenha sido enganada" pelo governo sírio, "falhou no seu compromisso com a comunidade internacional". Moscovo aceitou "ser o fiador da destruição dos depósitos de armas químicas da Síria" e o "o resultado do seu falhanço" nessa missão "levou à morte de mais crianças e inocentes".

O governo de Vladimir Putin nega que tenham sido as forças de Assad as responsáveis pelo ataque químico, dizendo que os civis no terreno sofreram da exposição a gás sarin porque os aviões da força aérea síria atingiram uma infraestrutura onde os rebeldes estavam a produzir armas químicas.

Os governos ocidentais, os líderes dos grupos rebeldes que combatem Assad desde 2011 e, aponta a BBC, também um especialista em armamento dizem que as provas apontam para a responsabilidade do governo sírio. Assad já acusou os EUA de encetarem um ataque "insensato e irresponsável" na sexta-feira contra uma das suas principais bases aéreas, isto depois de Moscovo ter acusado a administração Trump de um "ato de agressão contra um estado soberano" que "viola a lei internacional sob um pretexto inventado".