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Expresso

Internacional

Reino Unido vai pedir mais sanções à Rússia no encontro do G7

Último encontro do G7 + 1 aconteceu no Japão em maio, quando ainda era John Kerry o chefe da diplomacia norte-americana

TOSHIFUMI KITAMURA

Ministros das sete nações mais industrializadas do Ocidente, mais a chefe da diplomacia da UE, vão estar reunidos hoje e amanhã na Toscânia, em Itália, para debater novas formas de pressão ao grande aliado de Bashar al-Assad, na sequência de um ataque químico atribuído ao regime sírio e de um ataque com mísseis lançado pelos EUA em retaliação. Tensões com a Coreia do Norte também deverão marcar o encontro de dois dias

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 vão estar reunidos esta segunda e terça-feira em Itália para um encontro que será dominado pelos assuntos mundiais mais quentes da atualidade, em particular a guerra na Síria, dias depois de os EUA terem lançado o primeiro ataque oficial contra as forças de Bashar al-Assad desde o início da guerra civil em 2011.

A cimeira de dois dias a decorrer na Toscânia acontece depois de a administração norte-americana ter lançado mísseis contra uma base da Força Aérea síria na passada sexta-feira e de ter destacado um porta-aviões para as águas que banham a península coreana — a primeira ação em resposta a um ataque com armas químicas que, na quarta-feira, provocou quase 100 mortos e 500 feridos em Idlib; a segunda em resposta aos recentes testes nucleares e de mísseis do regime norte-coreano.

De acordo com a agência russa Sputnik, o Reino Unido prepara-se para exigir em Itália que sejam impostas mais sanções à Rússia aliada de Assad, numa altura em que a guerra civil em curso na Síria há mais de seis anos continua sem fim à vista.

A Reuters aponta que o encontro — o primeiro entre os chefes da diplomacia dos EUA, Itália, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá e Japão desde que Donald Trump tomou posse como 45.º Presidente dos EUA — vai dar às nações a possibilidade de pressionarem o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, para que dê garantias de que o governo aliado está comprometido com a deposição de Bashar al-Assad. A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, também estará presente em representação dos restantes Estados-membros do bloco.

Ao longo da campanha eleitoral e já depois de ter vencido as eleições em novembro, o empresário tornado Presidente tinha prometido ser menos intervencionista do que os antecessores e, há pouco mais de uma semana, tanto a sua embaixadora na ONU como o porta-voz da Casa Branca tinham sublinhado que "depôr Assad já não é uma prioridade dos EUA".

Também por causa disso, o ataque de sexta-feira a uma base aérea das forças sírias confundiu muitos diplomatas e disseminou incertezas entre os aliados. Para já ainda não se sabe se este foi simplesmente um aviso ou se a ele vão seguir-se outros ataques contra o governo sírio.

Este fim-de-semana, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, reverteu as declarações recentes e garantiu que uma alteração de regime na Síria é uma prioridade para a administração Trump — uma postura ecoada pelo próprio governo, que veio dizer que a visão do Presidente sobre o homólogo sírio "mudou muito" depois do ataque químico. Tillerson, pelo contrário, referiu no sábado que a prioridade dos norte-americanos quanto à Síria continua a ser combater e destruir o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

As mensagens confusas têm estado a frustrar os aliados ocidentais, que continuam empenhados em encontrar uma solução para a Síria que passe pela transferência de poder de Assad para outros grupos políticos. "Os americanos dizem que concordam" com esse objetivo, apontava um alto diplomata europeu à agência Reuters este fim de semana, "mas não há nada que aponte isso. Eles estão ausentes deste assunto e andam a navegar à deriva no escuro."