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Internacional

‘Hacker’ russo preso em Espanha

Pyotr Levashov é suspeito de ter estado envolvido no alegado hacking russo durante as eleições dos EUA

Miguel Rebocho Pais

Foi preso na passada sexta-feira, em Barcelona, um russo de 36 anos suspeito de estar ligado aos alegados ataques informáticos levados a cabo durante as eleições norte-americanas, segundo a agência Reuters. Ainda não existe um motivo público para a detenção de Pyotr Levashov, uma vez que a embaixada russa em Madrid confirmou apenas a detenção, este domingo. A polícia espanhola e o Ministério do Interior ainda não comentaram o assunto.

A televisão estatal russa RT avançou que Levashov foi detido enquanto passava férias com a família, citando a sua mulher. Segundo a mesma, o russo terá sido detido devido a um mandado internacional de captura emitido pelo FBI (agência governamental norte-americana de espionagem e segurança), que o acusava de ter agido para favorecer Trump nas eleições, a mando do Kremlin. O porta-voz da divisão criminal do Departamento de Justiça dos EUA, Peter Carr, afirmou que “o caso dos Estados Unidos permanece selado, pelo que não temos informações para dar”.

Segundo o jornal “The New York Times”, investigadores de cibersegurança pensam ainda que Pyotr Levashov, residente em São Petersburgo, pode ser o verdadeiro nome de Peter Severa, apontado há anos como o responsável por um negócio de spam [mensagens não solicitadas enviadas em massa para as caixas de correio eletrónico] de grandes dimensões. Severa é suspeito de ter também influenciado as eleições presidenciais russas de 2012, utilizando um vírus informático para espalhar notícias falsas que afirmavam que Mikhail Prokhorov, candidato contra Putin, era homossexual.

Os Estados Unidos acusam a Rússia de ter interferido nas eleições presidenciais norte-americanas, recorrendo a hackers para libertar uma série de e-mails de membros do Partido Democrata, incluindo o chefe de campanha da candidata presidencial Hillary Clinton. O Presidente russo Vladimir Putin negou qualquer tipo de envolvimento. Paralelamente, membros da campanha e do Governo de Donald Trump têm sido acusados de manter contacto com autoridades russas. É o caso de Michael Flynn, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional, que teve de se demitir por esse mesmo motivo. Segundo jornais americanos, poderá estar disposto a testemunhar contra Trump em troca de imunidade.