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Dijsselbloem: Portugal “não queria realmente” a demissão

DOMENIC AQUILINA/EPA

Holandês volta ao tema da polémica sobre os “copos e as mulheres”, garante que Portugal não queria realmente que se demitisse e afirma que lhe pareceu “muito incómodo” que tanta gente se tenha sentido ofendida pelas suas palavras

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, estava à espera que “o colega português pedisse a sua demissão”, pelo que entende que o facto de o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, ter “ficado calado” na última reunião conjunta prova que Portugal “não queria realmente" a sua saída do lugar.

Numa entrevista ao diário holandês "De Volkskrant", Dijsselbloem disse também que sente "tristeza" por ter tido que dedicar tanto tempo a falar sobre a entrevista na qual sugeriu que os países do sul da Europa gastaram dinheiro em "copos e mulheres".

"Entristece-me muito que tenhamos dedicado tanto tempo e energia a uma entrevista enquanto a Grécia cai numa nova crise", afirmou, considerando que foi tratado como se tivesse cometido um "crime de guerra".

Em entrevista ao "Frankfurter Allgemeine Zeitung" há várias semanas, Dijsselbloem sugeriu que os países do sul da zona euro gastaram dinheiro em "copos e mulheres", declarações que lhe valeram duras críticas e pedidos de demissão, sobretudo por parte do Parlamento Europeu.

Ao ministro holandês pareceu-lhe "muito incómodo" que tanta gente se tenha sentido ofendida pelas suas palavras e afirmou que se sentiu cercado pelos eurodeputados.

Dijsselbloem reconheceu que poderia ter sufocado o mal-estar se tivesse apresentado desculpas imediatamente, mas assegurou que se negou a fazê-lo porque "não poderia retratar-se de alguma coisa que não tinha dito, de alguma coisa à qual não se referia".

Questionado pelo "De Volkskrant" sobre se espera cumprir o seu mandato até janeiro de 2018 à frente do grupo que reúne os ministros das Finanças dos países do euro, o social-democrata disse que, "como a curto prazo haverá um novo Governo na Holanda, o Eurogrupo procura rapidamente um novo presidente".

Contudo reconheceu que se não se conseguir, ainda tem possibilidades de concluir o mandato.

Dijsselbloem também indicou que, nas discussões com os colegas na reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia em Malta, "não ouviu ninguém apoiar uma presidência fixa" do Eurogrupo.