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Aliados do líder sírio ameaçam EUA. “Responderemos com uso de força”

AFP/GETTY IMAGES

Decisão surge depois dos EUA terem atacado à base aérea de onde se suspeita que tenha sido lançado o ataque químico que, na terça-feira passada, fez 86 mortos, 27 dos quais crianças

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Os países aliados do regime sírio de Bashar al-Assad anunciaram este domingo que o ataque que os EUA lançaram na sexta-feira sobre uma base área em Homs, ultrapassou “linhas vermelhas” e que, por isso, não hesitarão a responder “com uso de força” caso haja um novo ataque. A ameaça partiu do Irão e da Rússia e outras milícias como os xiitas líbios do Hezbollah, que prometeram ainda reforçar o seu apoio ao líder sírio.

“O que os EUA infligiram na Síria é um ultrapassar de linhas vermelhas. Daqui para a frente responderemos com uso de força a qualquer agressão ou a qualquer quebrar de linhas vermelhas seja de quem for e os EUA conhecem a nossa capacidade de responder bem”, disseram num comunicado divulgado pelo grupo de media Ilam al Harbi (War Media), citado pela Reuters.

A justificar esta ameaça está o ataque surpresa que os EUA lançaram na sexta-feira de madrugada contra a Síria apenas três dias depois de 86 pessoas, entre eles 27 crianças, terem morrido num ataque químico, alegadamente com gás Sarin. O alvo dos EUA foi uma base área síria de onde se suspeita que tenham saído os aviões que realizaram esse ataque que deixou ainda cerca de 500 pessoas feridas.

Assad sempre afirmou que nada teve a ver com o ataque e até a Rússia saiu em sua defesa, dizendo que antes de qualquer acusação era preciso investigar para saber o que se tinha passado. Mas os EUA não esperaram a lançaram 59 mísseis contra a base aérea, destruindo-a quase totalmente e matando oito militares, segundo os últimos dados divulgados pelos meios internacionais.

O ataque acabou por ter mais impacto político do que no terreno já que, menos de 24 horas depois da missiva militar, os sírios organizaram-se para recuperar o local e na noite sexta-feira, dois aviões descolaram daquela base.

A ameaça dos forças de apoio de Assad surge também no seguimento de declarações de altos cargos dos EUA, incluindo o próprio Presidente dos EUA, terem referido que, neste momento, mudaram de opinião acerca do líder sírio e que farão tudo para o tirar do poder. No entanto ressalvaram que a prioridade continua a ser o combate ao Daesh.

“Uma vez reduzida ou eliminada a ameaça [Daesh], penso que podemos voltar a nossa atenção diretamente para a estabilização da situação na Síria", disse o chefe da diplomacia dos EUA, Rex Tillerson, à estação televisiva CBS, segundo escreve a Lusa. “A esperança é a de que possamos navegar num resultado político no qual o povo sírio possa reconhecer de facto a legitimidade de Bashar al-Assad”, disse.

Também a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou que “remover Assad não é a única prioridade”, mas concorda que não será possível atingir a paz na Síria se Assad se mantiver no poder.