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Internacional

Síria: Trump quer coligação para afastar Assad do poder

CARLOS BARRIA

Donald Trump reiterou hoje que a sua atitude face ao Presidente sírio "mudou muito" e diz ter "em andamento" a organização de uma coligação para o remover do poder. Embaixador norte-americano junto da ONU diz que saída de Bashar al-Assad "é inevitável" e que não será possível ter uma solução política na Síria sem afastá-lo

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou este domingo que a sua atitude face ao Presidente sírio "mudou muito" e revelou ter "em andamento" a organização de uma coligação para remover Bashar al-Assad do poder. Mas sublinhou também que as prioridades norte-americanas não mudaram e que é a derrota do Estado Islâmico que continua no topo da sua agenda.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, foi o homem que ficou com a incumbência de criar uma coligação para remover Assad do poder. Mas, dois dias depois do ataque militar lançado pelos Estados Unidos como retaliação pelo uso de armas químicas que mataram mais de 80 pessoas - alegadamente utilizadas pelo regime sírio, num ataque contra os rebeldes numa localidade no norte do país. Tillerson confirmou, numa entrevista à estação CBS, que a prioridade dos Estados Unidos "realmente não mudou" e que continua a ser o combate ao grupo extremista do Estado Islâmico.

"Uma vez reduzida ou eliminada a ameaça, penso que podemos voltar a nossa atenção diretamente para a estabilização da situação na Síria", disse o governante à estação televisiva CBS. O Secretário de Estado afirmou que espera poder impedir a continuação da guerra civil e levar "as partes à mesa para iniciar o processo de discussões políticas" entre o governo Assad e os vários grupos de rebeldes. "A esperança é a de que possamos navegar num resultado político no qual o povo sírio possa reconhecer de facto a legitimidade de Bashar al-Assad", disse.

Apesar destas declarações, também este domingo o embaixador norte-americano junto das Nações Unidas, Nikki Haley, disse à CNN que o afastamento do presidente Bashar al-Assad do poder na Síria passou a ser uma das prioridades para a administração Trump. Para Halley, de resto, a saída de Bashar al-Assad do poder será "inevitável".

Embora assuma que "afastar Assad não é a única prioridade", o embaixador deixa pouca margem para dúvidas quanto à inevitabilidade desse movimento. "O que querermos é, obviamente, derrotar o Estado Islâmico. Depois, não vemos uma Síria em paz com Assad lá. Em terceiro lugar, [queremos] tirar de lá a influência iraniana. E finalmente avançar para uma solução política, porque, no final do contas, esta é uma situação complicada , não há uma respostas fáceis e terá de acontecer uma solução política", argumentou Nikki Haley em entrevista à CNN.

Nesse contexto, o embaixador norte-americano deixou claro que a perspectiva da administração Trump é que não será possível ter uma solução política para a Síria com Bashar al-Assad no poder. "Se olharmos para as ações dele, se olharmos para a situação, será difícil ver um Governo de paz e estável com Assad", concluiu.