Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Santos Silva sobre o ataque dos EUA: “Portugal compreende as posições dos seus aliados”

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Portugal compreende os aliados que atuam em retaliação a “crimes de guerra” disse o ministro dos Negócios Estrangeiros referindo-se ao bombardeamento norte-americano contra a Síria

"Portugal compreende as posições dos seus aliados que são posições que procuram medidas de retaliação a crimes de guerra." Foi assim que o chefe da diplomacia portuguesa comentou esta sexta-feira o ataque norte-americano contra posições militares do regime de Damasco, na Síria.

"Aguardamos ainda informação por parte das autoridades norte-americanas e aguardamos ainda as discussões no seio do Conselho de Segurança (ONU) e estamos ainda em consulta no quadro dos nossos aliados europeus para que possa haver uma posição unida e uma reação da Europa. Estamos ainda nesse processo de consulta", acrescentou o ministro Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros falava à margem de um seminário sobre Assistência Humanitária e Proteção de Civis que decorre no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

Sobre o ataque químico atribuído às forças Sírias, o ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou que há uma investigação em curso no Conselho de Segurança mas que todos os sinais "indiciam que no ataque de que resultaram cerca de 90 mortos na Síria", terça-feira, foram "flagrantemente violadas" as leis da guerra, designadamente por via do uso das armas químicas.

Santos Silva recordou que Portugal "condenou energicamente" o ataque de terça-feira que recorreu a armas químicas "que são proibidas pela lei internacional".

"Soubemos desta iniciativa dos Estados Unidos de retaliação: a comunidade internacional tem o direito de retaliar perante aqueles que usam armas de guerra que são ilegais como são as armas químicas", frisou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros esclareceu também que as autoridades norte-americanas estão a "passar informações aos seus aliados" e que Portugal está a receber informações das autoridades norte-americanas no sentido de demonstrar que Washington tem razões para acreditar que foi a Força Aérea síria, a partir da base militar atacada durante esta madrugada, que o ataque com armas químicas foi desencadeado.

"Gostaríamos que o Conselho de Segurança das Nações Unidas pudesse verificar ele próprio quem usou essas armas e pudesse tomar em nome da comunidade internacional uma decisão sobre a reação legítima e forte que esse ataque merece", afirmou Augusto Santos Silva

Para Portugal, disse ainda o ministro, o "mais importante" em relação à Síria é o conjunto de esforços no sentido de se alcançar uma solução politica para o conflito e que permita que a Síria preserve a integridade territorial e se restabeleça como um Estado secular, multirreligioso e multiétnico.

Os Estados Unidos lançaram na quinta-feira um ataque com 59 mísseis de cruzeiro contra a base aérea de Shayrat, de onde terão partido os aviões envolvidos no ataque com armas químicas que na terça-feira matou pelo menos 86 pessoas em Khan Sheikhun, no noroeste do país.

O bombardeamento de terça-feira foi assumido pelas autoridades sírias que, no entanto, negaram categoricamente ter usado armas químicas.

Na versão do regime de Bashar al-Assad, o ataque atingiu um depósito de armas químicas da Frente Al-Nosra, contrabandeadas para a província de Idleb a partir da fronteira com o Iraque e a Turquia, e que foram escondidas em zonas residenciais da zona.

Em resposta ao ataque de hoje, a Rússia já anunciou o reforço das defesas antiaéreas da base e pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

  • Porta-voz de Putin diz que ataque dos EUA à Síria foi lançado “sob pretexto inventado”

    Bashar al-Assad ainda não reagiu ao ataque com mísseis ordenado por Donald Trump contra uma base aérea em Homs — a primeira vez que a Casa Branca dá ordens diretas para atacar as forças leais ao Presidente sírio desde o início da guerra em 2011. Moscovo fala numa "violação da lei internacional", um ataque que "viola a soberania de uma nação da ONU" e que foi "preparado antes dos eventos em Idlib"

  • “Um evento que pode alterar o curso da História”. Reações ao ataque dos EUA à Síria

    Donald Trump ordenou um ataque com mísseis a uma base aérea das forças sírias de Bashar al-Assad em Homs para destruir o seu arsenal, na sequência do ataque com armas químicas que, na quarta-feira, matou mais de 80 civis, incluindo dezenas de crianças. A Rússia aliada de Assad diz que o ataque "viola a lei internacional", que foi "preparado antes dos eventos em Idlib" e lançado "sob um pretexto inventado". Fallon, Hollande e Merkel apoiam a decisão dos americanos

  • “Anos de tentativas para mudar o comportamento de Assad falharam”

    Assim declarou Donald Trump na sua casa de férias transformada em segunda Casa Branca em Mar-a-Lago, na Florida, ao anunciar que ordenou o lançamento de 59 mísseis contra uma base aérea das forças sírias. Rússia diz que “ato de agressão” prejudica em muito as relações bilaterais com os EUA

  • EUA atacam base militar na Síria

    Ofensiva foi ordenada por Trump e surge como resposta ao ataque químico que na terça-feira matou 86 civis na Síria e que os EUA acreditam ter sido da responsabilidade do governo de Bashar al Assad, apesar deste o ter negado por várias vezes