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Internacional

EUA atacam base militar na Síria

YURI GRIPAS/ Reuters

Ofensiva foi ordenada por Trump e surge como resposta ao ataque químico que na terça-feira matou 86 civis na Síria e que os EUA acreditam ter sido da responsabilidade do governo de Bashar al Assad, apesar deste o ter negado por várias vezes

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Os EUA lançaram, na madrugada desta sexta-feira, uma ofensiva militar contra a Síria, anunciou o Departamento de Defesa norte-americana no seu site oficial. Segundo o comunicado, foram lançados 59 mísseis contra a base aérea de onde se suspeita que tenha sido lançado o ataque químico que, na terça-feira, matou 86 pessoas, das quais 27 crianças.

“Os EUA disparam, hoje, mísseis Tomahawk contra a Síria em retaliação ao ataque químico que o regime de Bashar Assad usou para atacar o seu próprio povo”, pode ler-se no comunicado, que adianta ainda que a ofensiva foi ordenada pelo Presidente.

“Esta noite, ordenei um ataque militar à base era síria de onde o ataque químico foi lançado”, disse Donald Trump numa declaração à nação, em Mar-a-Lago, na Florida onde está para reunir com o presidente chinês Xi Jinping.

A decisão de avançar para uma ofensiva militar foi rápida, ao início da noite (hora de Portugal), os jornais internacionais davam conta de que os EUA estariam a preparar um ataque contra a Síria em retaliação ao ataque químico, e poucas horas depois - perto das três da manhã em Portugal - a Casa Branca anunciou o lançamento dos mísseis e Donald Trump fez um declaração oficial. Isto mesmo depois do governo sírio ter negado, por várias vezes, que não era responsável e do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter saído em defesa dos seus aliados sírios, dizendo que era preciso investigar antes de atribuir culpas.

Mas para os EUA “não há dúvidas de que a Síria usou armas químicas proibidas” e que isso “é uma violação da Convenção de Armas Químicas” e das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse Trump em declarações ao país para justificar o ataque, citado no comunicado do Departamento de Defesa. “Anos de tentativas de mudar o comportamento de Assad falharam e falharam dramaticamente”, comentou ainda.

“Bashar al-Assad lançou um horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes. Usando um gás mortal, Assad sufocou as vidas de homens, mulheres e crianças indefesas. Foi uma morte lenta e brutal para muitos. Até lindos bebés foram cruelmente assassinados neste ataque bárbaro. Nenhum filho de Deus deveria sofrer um horror destes”, disse.

Além disso, justificou ainda que “é no vital interesse da segurança nacional dos EUA prevenir e travar o uso de armas químicas mortais” e “pediu a todas as nações civilizadas que se juntem aos EUA para travar a chacina na Síria e para acabar com a ameaça do terrorismo”.

O mesmo texto do Departamento de Defesa explica ainda como é que se processou todo o ataque e disponibiliza ainda um vídeo da ofensiva, que foi também colocado na sua conta oficial do Twitter.

Segundo explicou aquele departamento do Governo norte-americano, os 59 mísseis Tomahawk foram lançados de dois navios - o USS Porter e o USS Ross - que se encontram ancorados no Mar Mediterrâneo. O ataque ocorreu às 8h40 de dia 6 de abril nos EUA, ou seja, às 4h40 de 7 de abril na Síria. Em Portugal eram 2h40 da madrugada.

De acordo com o porta voz do Pentágono, o Capitão da Marinha Jeff Davis, tudo foi feito para evitar a morte de civis e restringir os danos à base aérea. Além disso, Davis disse que as forças militares russas foram previamente notificadas do ataque.

“Estamos a avaliar os resultados do ataque. As indicações iniciais apontam que esta ofensiva destruiu parcial ou totalmente os aviões, as infraestruturas de suporte e equipamentos da base de Shayrat, reduzindo a capacidade do governo sírio de entregar amas químicas.O uso de armas químicas contra pessoas inocentes não será tolerado”, disse ainda Davis, citado pelo Departamento de Defesa.

Segundo a BBC, que cita o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, o ataque matou quatro soldados e destruiu quase por completo a base aérea.