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Trump diz ao Japão que “todas as hipóteses estão em cima da mesa” para travar Coreia do Norte

NICHOLAS KAMM

Telefonema entre o líder norte-americano e o primeiro-ministro nipónico aconteceu depois de Pyongyang testar um novo míssil balístico e horas antes de Donald Trump receber o Presidente chinês, Xi Jinping, na Florida para um encontro de dois dias que deverá ser dominado pelos programas militares norte-coreanos

Donald Trump diz que vai aumentar as capacidades militares dos Estados Unidos para contrariar a ameaça da Coreia do Norte, um anúncio feito horas antes de se encontrar com o Presidente da China, Xi Jinping, esta quinta-feira, para uma reunião que deverá ser dominada pelos programas nuclear e de mísseis balísticos de Pyongyang. Num telefonema esta manhã com o primeiro-ministro do Japão, o Presidente norte-americano disse a Shinzo Abe que “todas as opções estão em cima da mesa”, incluindo a possibilidade de ações militares, como resposta às “provocações” da Coreia do Norte.

Em comunicado, a Casa Branca explicou que no telefonema de 35 minutos com Abe Trump “deixou claro que os Estados Unidos vão continuar a fortalecer a sua capacidade para travar [Pyongyang] e defender-se e aos seus aliados com todas as suas capacidades militares”. O líder dos EUA também “enfatizou que está ao lado dos aliados Japão e Coreia do Sul perante a séria ameaça que a Coreia do Norte continua a representar”.

Em mais um sinal de crescentes tensões na península coreana, Seul testou esta madrugada um míssil balístico com capacidade para atingir qualquer parte da Coreia do Norte. De acordo com a agência estatal Yonhap, citando um oficial sul-coreano, o míssil com um alcance de 800 quilómetros serve de “forte dissuasor” contra as provocações do vizinho a norte. O teste sul-coreano surgiu um dia depois de a Coreia do Norte ter lançado um míssil balístico a partir do porto oriental de Sinpo, no que os analistas dizem ser um desafio a Trump e a Xi e uma demonstração de força, agora que o regime de Kim Jong-un tem alcançado progressos no sistema de mísseis de longo alcance capazes de transportar ogivas nucleares em miniatura.

Os programas militares norte-coreanos deverão dominar o encontro desta quinta e sexta-feiras entre Trump e Xi Jinping na Florida, na casa de férias do Presidente em Mar-a-Lago, que acontece dias depois de os EUA terem anunciado que estão preparados para agir sozinhos contra a Coreia do Norte se a China se recusar a aumentar a pressão ao aliado para que abandone as suas pretensões nucleares e suspenda o programa de mísseis balísticos. “Se a China não vai resolver o problema, nós resolvemos”, declarou Trump numa entrevista ao “Financial Times” no fim-de-semana.

Xi Jinping chega hoje à Florida para dois dias de reuniões com Donald Trump

Xi Jinping chega hoje à Florida para dois dias de reuniões com Donald Trump

Lintao Zhang

Neste momento, de acordo com fontes internas, a administração Trump está a considerar aplicar sanções contra bancos e empresas chinesas que garantem acesso ao sistema financeiro internacional a membros do regime norte-coreano, mantendo em aberto a opção de um ataque militar preventivo para travar Pyongyang. No telefonema desta madrugada com Trump, Abe e o Presidente dos EUA concordaram que o último teste norte-coreano de mísseis representa uma ameaça à segurança na região.

“Concordámos que o lançamento do míssil ontem pela Coreia do Norte é uma provocação perigosa e uma grave ameaça à segurança”, disse o primeiro-ministro nipónico aos jornalistas após falar com Trump. “Disse-lhe que o Japão está a dar grande atenção à forma como a China lida com a questão norte-coreana. Aí o Presidente Trump proferiu uma declaração forte, dizendo que todas as opções estão em cima da mesa.”

Susan Thornton, diplomata dos EUA para a Ásia Oriental, diz que Pyongyang é cada vez mais uma “ameaça global e urgente” que precisa de ser contrariada. “Estamos a ponderar uma estratégia de ação focada e orientada para resultados e vamos tentar cooperar com os outros parceiros e aliados numa coligação global para realmente tentar resolver este problema de uma forma urgente como nunca foi feito antes”, disse aos jornalistas. “Vamos fazer tudo o que for necessário para garantir a segurança na região e vamos levar muito a sério a busca por uma solução para o programa ilegal de armas da Coreia do Norte.”

Contra esta postura, Kurt Campbell, diplomata que aconselhou a administração de Barack Obama no seu primeiro mandato quanto a questões relacionadas com a Ásia, lembra que a retórica de Trump não tem credibilidade. “Ele faz parecer que está preparado para ir para a guerra ou para recorrer a ações militares mas não penso que isso venha a ser viável”, disse à Associated Press. “A chave para ganhar alavancagem nas negociações é sermos credíveis.”