Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Gibraltar acusa Espanha de criar engarrafamentos no enclave perante tensões com o Reino Unido

Pablo Blazquez Dominguez

Cerca de dez mil pessoas atravessam a fronteira entre Gibraltar e Espanha todos os dias para trabalhar. Turismo e comércio do território ultramarino britânico dependem da fronteira terrestre com o reino espanhol para subsistir. Governo autónomo acusa Madrid de manipular o trânsito rodoviário agora que Gibraltar se tornou central nas negociações do Brexit entre Londres e Bruxelas

O governo autónomo de Gibraltar acusou ontem Espanha de estar a causar intencionalmente longos engarrafamentos na fronteira através do aumento de controlos fronteiriços, dizendo que esta é “claramente uma resposta” às crescentes tensões políticas entre o Reino Unido e a restante União Europeia quanto ao futuro do território ultramarino britânico.

À emissora local GBC, o vice-ministro-chefe de Gibraltar, Joseph Garcia, queixou-se das longas filas de carros que têm enchido as estradas durante horas por causa da alegada atuação das autoridades espanholas.

“A última ação de Espanha é clara e obviamente uma resposta ao clima político mais recente. É o que eles [espanhóis] sempre fizeram mas é total e absolutamente inaceitável. Foi-nos dito que os agentes da polícia destacados para a fronteira, da Polícia Nacional, não são os que costumam estar aqui normalmente. Eles não entendem bem como devem efetuar os controlos na fronteira.”

No Twitter, a polícia do território ultramarino britânico com 32 mil habitantes tinha anunciado ontem que “todos os que estão a conduzir para Espanha devem contar com longos atrasos”. O tweet surgiu na sequência de um outro publicado pelo governo autónomo de Fabian Picardo, onde os gibraltinos eram avisados de que os veículos rodoviários estavam a lidar com filas de duas horas para entrarem em Espanha. Nem o Ministério do Interior espanhol nem a polícia nacional responderam aos contactos da AFP, ficando para já por apurar se estão de facto a aplicar novas medidas de controlo fronteiriço mais estritas.

Cerca de dez mil pessoas atravessam diariamente a fronteira de Gibraltar com Espanha para trabalharem e o território depende em larga medida daquela linha terrestre para manter o turismo e o comércio. “Espanha tem usado engarrafamentos como arma política contra Gibraltar desde o dia em que a fronteira abriu”, diz Garcia.

As acusações surgem depois de o Conselho Europeu ter sugerido na semana passada que Espanha deve ter poder de veto quanto a qualquer futuro acordo sobre Gibraltar assim que o Reino Unido abandonar a União Europeia — uma sugestão feita por Donald Tusk depois de o Governo britânico ter invocado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, dando início formal às negociações de saída do bloco. Theresa May saiu de imediato em defesa de Gibraltar, garantindo que não vai ceder a soberania sobre o território.

Na terça-feira, um navio de guerra espanhol entrou nas águas territoriais de Gibraltar, aumentando as tensões já acrescidas entre Londres e Madrid por causa de um território que integra o reinado britânico há mais de 300 anos. No dia seguinte, ontem, o Parlamento Europeu omitiu a questão Gibraltar da sua lista de “linhas vermelhas” que não devem ser ultrapassadas durante as negociações do Brexit, que têm de estar concluídas no prazo de dois anos.