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Internacional

Trump: ataque químico na Síria “ultrapassou muitas linhas”

YURI GRIPAS/ Reuters

O Presidente norte-americano fazia alusão “linha vermelha” fixada pelo seu antecessor Barack Obama em caso de utilização de armas químicas

O Presidente dos Estados Unidos afirmou esta quarta-feira que o presumível ataque químico de quarta-feira na Síria "ultrapassou numerosas linhas", numa alusão à "linha vermelha" fixada pelo seu antecessor Barack Obama em caso de utilização de armas químicas.

No decurso de uma conferência de imprensa com o rei Abdallah II da Jordânia, Donald Trump também assegurou que a sua "atitude face a Assad também mudou", numa referência ao Presidente sírio Bashar al-Assad.

O antigo Presidente Obama prometeu que atuaria militarmente contra a Síria no caso de recurso a armas químicas, uma "linha vermelha" que foi ultrapassada no verão de 2013 mas que não implicou uma intervenção armada de Washington contra Damasco.

Trump elevou o tom das ameaças ao denunciar os "atos odiosos" do regime sírio que "não podem ser tolerados", e também se dirigiu ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), que controla uma parte da Síria.

"Destruiremos e EI e protegeremos a civilização (...) porque não temos escolha", prometeu.

No entanto, recusou referir que tipo de ação poderá ser desencadeada pelos EUA em resposta a esta suposto ataque das forças sírias, e que para Trump implicou "uma grande alteração da minha atitude em relação à Síria e a Assad".

Apenas alguns dias antes, a Casa Branca tinha referido que o derrube de Assad deixava de ser uma prioridade.

O Conselho de Segurança (CS) da ONU reuniu-se de urgência esta tarde para debater o presumível ataque químico de terça-feira em Khan Cheikhoun, noroeste da Síria, que provocou 72 mortos, incluindo 20 crianças, e 16 feridos, segundo o último balanço do Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH).

No decurso desta reunião do CS, a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, preveniu que Washington tomará medidas unilaterais na Síria caso a ONU não opte por uma resposta ao alegado ataque químico.

A representante do Washington também fustigou a Rússia por não ter conseguido "moderar" o seu aliado sírio, ao interrogar-se de "quantas crianças vão ainda morrer antes que a Rússia se preocupe?".

Esta manhã, Moscovo tinha reafirmado o seu apoio às operações militares de Damasco, que continua a desmentir qualquer envolvimento no ataque, e forneceu a sua versão: de acordo com "dados objetivos do controlo russo do espaço aéreo", a aviação síria atingiu um "armazém terrorista" que continha substâncias tóxicas, provocando as emanações químicas.