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Internacional

Macron acusa Le Pen de querer lançar “guerra económica” na Europa

Emmanuel Macron (ao centro) e Marine Le Pen deverão disputar última volta eleitoral

PATRICK KOVARIK

Faltam 18 dias para a primeira volta das eleições presidenciais em França, agendada para 23 de abril. O candidato centrista e a líder da extrema-direita deverão disputar a segunda e última volta duas semanas depois, a 7 de maio

Houve uma espécie de união de forças contra a líder da Frente Nacional (FN, extrema-direita) entre todos os seus rivais na corrida presidencial francesa, esta terça-feira à noite, no segundo dos três debates televisivos entre os candidatos ao Palácio do Eliseu antes da ida às urnas, já a 23 de abril.

Os ataques a Marine Le Pen foram lançados por Emmanuel Macron, candidato centrista que continua a liderar as sondagens de opinião, seguido de perto pela líder da extrema-direita. Macron acusa-a de defender propostas nacionalistas e antieuropeias com o intuito de criar uma "guerra económica" no continente, tendo também virado a mira para os candidatos da direita moderada, que acusa de não estarem a ser duros o suficiente na defesa da União Europeia e da pertença de França ao bloco.

François Fillon, o candidato d'Os Republicanos de Nicolás Sarkozy que não deverá qualificar-se para a segunda volta, disse que França precisa que a Europa face frente aos Estados Unidos e à China, numa tomada de posição afastada das promessas de Le Pen, que aproveitou o tempo de antena para garantir que, se vencer, vai restaurar o controlo nacional das fronteiras de França e retirar o país da zona euro ou, em vez disso, levar a permanência do país na UE a referendo, como os britânicos fizeram em junho do ano passado.

Ao lado dos restantes 10 candidatos presidenciais, num debate com vários momentos tensos a apenas 18 dias da primeira volta, Le Pen garantiu que uma presidência FN vai melhorar as vidas dos cidadãos franceses. "Você está a dizer as mesmas mentiras que ouvimos do seu pai durante 40 anos", acusou o seu principal rival, Macron, dizendo que "o nacionalismo é guerra". O centrista continua à frente nas sondagens de opinião mas sem o mínimo necessário de 50% dos votos para evitar uma segunda volta, marcada para 7 de maio.

Também criticada por Fillon, Le Pen retorquiu que os rivais "não devem fingir que são novidades quando falam como os fósseis que são há 50 anos". François Asselineau, o outro candidato da direita nacionalista, tentou alinhar o seu discurso com o da rival da FN, embora tenha declarado que é "o único verdadeiro candidato do Frexit", versão francesa do Brexit; aos espectadores, prometeu fazer como o governo britânico e invocar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, para dar início a negociações formais de saída da UE.

Quando o debate se virou para a temática "segurança", Le Pen lançou mais uma acha para a fogueira nacionalista, dizendo que França se tornou uma "universidade de jiadistas" e gerando reações iradas dos candidatos da esquerda.

Apesar de as sondagens anteverem um empate técnico abaixo dos 50% para Le Pen e Macron, excluindo os restantes candidatos do segundo turno eleitoral, o debate televisivo desta terça-feira deu a Fillon a oportunidade de encurtar a distância em relação aos rivais, aponta a BBC. O candidato da direita centrista esteve a liderar a corrida até estalar o escândalo dos "empregos fictícios" que terá criado para a mulher e para os filhos, pagos com dinheiro dos contribuintes, que já levou as autoridades francesas a abrirem uma investigação formal.