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Especialista desmente tese russa e garante que rebeldes sírios foram bombardeados com gás Sarin

AMMAR ABDULLAH/REUTERS

O regime sírio nega responsabilidades. Os seus aliados russos dizem que bombardeamento terá sido levado a cabo por aviões do regime de Assad que atingiram um depósito de armas químicas dos rebeldes. Esta versão é considerada tecnicamente insustentável por um especialista britânico

Os regimes da Síria e da Rússia negam responsabilidades sobre o ataque com armas químicas de terça-feira, que causou pelo menos 72 mortos, entre os quais 20 crianças, e pelo menos 100 feridos na província de Idlib, numa zona controlada pelos rebeldes.

As forças armadas sírias “negaram categoricamente” a autoria daquele ataque, que traz à memória os mais graves bombardeamentos com armas químicas ocorridos durante os seis anos da guerra e que levou o Reino Unido e a França a convocarem para estar quarta-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os Estados Unidos acusaram a Síria de ter usado aviões seus para efetuar o ataque com armas químicas. Mas o ministro da defesa da Rússia, país aliado do regime de Bashar al-Assad, negou o uso desse tipo de armas, sustentando que a aviação síria apenas atingiu um “depósito terrorista” que continha “substâncias tóxicas” destinadas a ser utilizadas no Iraque, .

Uma versão que um especialista ouvido pela BBC considera ser insustentável. “É muito claro que se tratou de um ataque com gás Sarin”, afirma Hamish de Bretton Gordon, diretor dos Médicos Sob Fogo e antigo responsável do Regimento Químico, Biológico, Radiológico e Nuclear do Reino Unido. “Se você fizer explodir Sarin irá destruí-lo”, refere, considerando ser evidente que se trata apenas dos “russos a tentarem proteger os seus aliados”. “A perspetiva de que um depósito de Sarin da Al-Qaeda ou dos rebeldes foi atingido propositadamente é completamente insustentável e uma mentira completa”, concluiu.

Jerry Smith, o chefe de operações da equipa liderada pelas Nações Unidas que supervisionou a remoção dos stocks de gás Sarin da Síria, em sequência do ataque químico contra uma área controlada pelos rebeldes próximo de Damasco, referiu que este caso faz “reavivar completamente (o ataque de) 2013” que causou mais de 1300 mortos.

Horas depois do ataque desta terça-feira, um hospital onde os feridos estavam a receber assistência foi também atingido. Dezenas de feridos, alguns dos quais em estado crítico, foram transferidos para a Turquia